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terça-feira, 18 de maio de 2010

Poetas da Nossa Terra


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domingo, 16 de maio de 2010

Poetas da Nossa Terra


Os amantes sem dinheiro

Tinham o rosto aberto a quem passava.
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão.

Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados;
e olhos de oiro
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.

Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.

Eugénio de Andrade

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Poetas da Nossa Terra


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terça-feira, 11 de maio de 2010

Poetas da Nossa Terra

Joaquim Pessoa


Eu sei, não te conheço, mas existes ...


Eu sei, não te conheço mas existes.
por isso os deuses não existem,
a solidão não existe
e apenas me dói a tua ausência
como uma fogueira
ou um grito.

Não me perguntes como mas ainda me lembro
quando no outono cresceram no teu peito
duas alegres laranjas que eu apertei nas minhas mãos
e perfumaram depois a minha boca.

Eu sei, não digas, deixa-me inventar-te.
ao é um sonho, juro, são apenas as minhas mãos
sobre a tua nudez
como uma sombra no deserto.
É apenas este rio que me percorre há muito e desagua em ti,
Porque tu és o mar que acolhe os meus destroços.
É apenas uma tristeza inadiável, uma outra maneira de habitares
Em todas as palavras do meu canto.

Tenho construído o teu nome com todas as coisas.
tenho feito amor de muitas maneiras,
docemente,
lentamente
desesperadamente
à tua procura, sempre à tua procura
até me dar conta que estás em mim,
que em mim devo procurar-te,
e tu apenas existes porque eu existo
e eu não estou só contigo
mas é contigo que eu quero ficar só
porque é a ti,
a ti que eu amo.

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sábado, 8 de maio de 2010

Poetas da Nossa Terra





Sophia de Mello Breyner Andersen


O poema


O poema me levará no tempo
Quando eu já não for eu
E passarei sozinha
Entre as mãos de quem lê

O poema alguém o dirá
Às searas

Sua passagem se confundirá
Como rumor do mar com o passar do vento

O poema habitará
O espaço mais concreto e mais atento

No ar claro nas tardes transparentes
Suas sílabas redondas

(Ó antigas ó longas
Eternas tardes lisas)

Mesmo que eu morra o poema encontrará
Uma praia onde quebrar as suas ondas

E entre quatro paredes densas
De funda e devorada solidão
Alguém seu próprio ser confundirá
Com o poema no tempo

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quarta-feira, 5 de maio de 2010

Poetas da Nossa Terra

Os Versos que te fiz


Deixe dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Tem dolência de veludo caros,

São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não te digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz

Florbela Espanca
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segunda-feira, 3 de maio de 2010

Poetas da Nossa Terra




Já não Escreverei Romances


Já não escreverei romances
Nem contos da fada e o rei.
Vão-se-me todas as chances

De grande escritor. Parei.
Mas na chispa do verso,
Com Marga a aquecer-me,
Já não serei disperso
Nem poderei perder-me.
Tudo nela é verbo e vida;
Xale, cílio, tosse, joelho,
Tudo respinga e acalma.
Passo, óculos, nada é velho:
Quase corpo, menos que alma.
Já não lavrarei novelas,
Ultrapassado de ficto:
A vida dá-me janelas
A toda a extensão do dicto.
Mas sem elas, mas sem elas
(As suas mãos) fico aflito.

Vitorino Nemésio, in "Caderno de Caligraphia
e outros Poemas a Marga"

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Poetas da Nossa Terra

Quadras ao Gosto Popular


Não sei se a alma no Além vive...
Morreste! E eu quero morrer!
Se vive, ver-te-ei; se não,
Só assim te posso esquecer.

Se ontem à tua porta
Mais triste o vento passou —
Olha: levava um suspiro...
Bem sabes quem to mandou...

Entreguei-te o coração,
E que tratos tu lhe deste!
É talvez por 'star estragado
Que ainda não mo devolveste ...

A caixa que não tem tampa
Fica sempre destapada
Dá-me um sorriso dos teus
Porque não quero mais nada.

Tens o leque desdobrado
Sem que estejas a abanar.
Amor que pensa e que pensa
Começa ou vai acabar.

Fernando Pessoa

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segunda-feira, 26 de abril de 2010

Poetas da Nossa Terra

Da Tua Vida


Da tua vida o que não podem entender
Nem oiro nem poder nem segurança
Mas a paixão do Tempo e de seus riscos
Tu buscaste o instante e a intensidade
E foste do combate e da mudança
Por isso um rastro de ruptura e de viagem
Ou talvez este fogo inconquistado
Como breve eternidade
De passagem

Manuel Alegre, in "Chegar Aqui"

Alegre tem cátedra em Pádua

É hoje inaugurada em Pádua a cátedra com o nome de Manuel Alegre, dedicada à língua, literatura e cultura portuguesas. .
19 Abril 2010 - O escritor e poeta Manuel Alegre assiste hoje, na Universidade de Pádua, à inauguração da cátedra com o seu nome destinada ao estudo da língua, literatura e cultura portuguesas.
No sábado, Alegre, cuja obra O Miúdo que Pregava Pregos numa Tábua foi editada recentemente, esteve presente na Universidade Roma Tre na qual participou num encontro com estudantes, e amanhã deslocar-se-á à Universidade Ca'Foscari, em Veneza, onde participa num encontro sobre poesia, juntamente com três outros poetas europeus.
Em declarações à agência Lusa, o escritor manifestou-se "bastante honrado" com a distinção, sublinhando tratar-se de uma maneira de afirmar a nossa literatura e a que é escrita em português.A cátedra Manuel Alegre na Universidade de Pádua foi instituída no departamento de Românicas da Faculdade de Letras e Filosofia e os seus promotores justificam-na alegando que Alegre é um "poeta, romancista, político e intelectual de topo do Portugal contemporâneo. Sem nunca renunciar ao empenhamento político, explora num registo de contínua e forte originalidade áreas temáticas universais, como a da errância, já que 'todos somos exilados de Florença' na esteira da grande tradição literária filiada em Portugal na "lusitana antiga liberdade", de Luís Vaz de Camões, particularmente cara também ao lema da Universidade de Pádua: Universa Universis Patavina Libertas (Liberdade de Pádua, Universal e para todos)", ainda segundo os seus criadores.
Poemas de Manuel Alegre estão incluídos em várias antologias de poesia portuguesa editadas em Itália, nomeadamente em La Nuova Poesia Portoghese (1975), Poeti Portoghese Contemporanei (19


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sábado, 24 de abril de 2010

Para não esquecer

A Celebre Canção


25 de Abril.....Sempre

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