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quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2010
segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010
Viagens na Nossa Terra
AO SÁVEL , A ARNELAS
DANIEL FILIPE
A Arnelas se vai por um barquinho dócil, com remadas que fazem
chape-chape na verdura líquida do rio. A barqueira, uma moça a quem
tremem os peitos sob o blusão de ramagens, diz que «é mesmo um
instantinho», finca as pernas queimadas do sol no fundo do alagadiço
e grita ao pai velho e aciganado um «pois nã m'ajuda?!
Do Porto ao areal onde varam a barca, são doze quilómetros escassos
bordejando o Douro, pela estrada que leva à Foz do Sousa. Do outro lado daquele mediterrâneo comedido, acena a graça da povoação,orgulhosa da sua vetustez. E são pinhais e vinha e mato verde, em flor, até onde a vista acaricia a linha arredondada e feminil dos montes. Vamos ao sável assado nas brasas com arroz de miúdos, que em Arnelas se faz como em parte nenhuma (...).
«««««««««»»»»»»»»
DANIEL FILIPE
A Arnelas se vai por um barquinho dócil, com remadas que fazem
chape-chape na verdura líquida do rio. A barqueira, uma moça a quem
tremem os peitos sob o blusão de ramagens, diz que «é mesmo um
instantinho», finca as pernas queimadas do sol no fundo do alagadiço
e grita ao pai velho e aciganado um «pois nã m'ajuda?!
Do Porto ao areal onde varam a barca, são doze quilómetros escassos
bordejando o Douro, pela estrada que leva à Foz do Sousa. Do outro lado daquele mediterrâneo comedido, acena a graça da povoação,orgulhosa da sua vetustez. E são pinhais e vinha e mato verde, em flor, até onde a vista acaricia a linha arredondada e feminil dos montes. Vamos ao sável assado nas brasas com arroz de miúdos, que em Arnelas se faz como em parte nenhuma (...).
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Savel
quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010
Viagens na Nossa Terra

Sophia de Mello Breyner Andresen
O Meu País
As Amoras
O meu país sabe as amoras bravas no verão.
Ninguém ignora que não é grande, nem inteligente,
nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce de quem acorda cedo
para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país,
talvez nem goste dele,
mas quando um amigo me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.
########
O meu país sabe as amoras bravas no verão.
Ninguém ignora que não é grande, nem inteligente,
nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce de quem acorda cedo
para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país,
talvez nem goste dele,
mas quando um amigo me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.
########
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Amoras
segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010
Viagens na Nossa Terra
Sophia de Mello Breyner Andresen
Esteira e Cesto
No entrançar de cestos ou esteira
Há um saber que vive e não desterra
Como se o tecedor a si próprio se tecesse
E não entrançasse unicamente esteira e cesto
Mas seu humano casamento com a terra.
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cesto
sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010
Proverbios
Foto (Carnaval de Torres)A Brincar é que as coisas se dizem
A Brincar se dizem muitas verdades
A brincar a brincar, com a verdade me enganas
Brincar com o fogo, é jogo perigoso
A brincar a brincar, vai o macaco à banana
A brincar a brincar, é que o macaco fez um filho à mãe.
Bricando brincando, se vai pegando.
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carnaval
terça-feira, 26 de Janeiro de 2010
Provérbios
#Morrer por morrer, morra o meu pai que é mais velho.
#Morreu o bicho, acabou a peçonha.
#Morte de lobo, saúde de rebanho.
#Morte certa, hora incerta.
#Morte com honra, desassombra.
#Morra Marta, morra farta.
#Muita gente junta não se salva.
#Muita parra e pouca uva.
#Muitas filhas em casa, tudo se abrasa.
#Mudam os tempos, mudam os pensamentos.
#Mudam os ventos mudam os tempos.
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#Morreu o bicho, acabou a peçonha.
#Morte de lobo, saúde de rebanho.
#Morte certa, hora incerta.
#Morte com honra, desassombra.
#Morra Marta, morra farta.
#Muita gente junta não se salva.
#Muita parra e pouca uva.
#Muitas filhas em casa, tudo se abrasa.
#Mudam os tempos, mudam os pensamentos.
#Mudam os ventos mudam os tempos.
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Morrer
sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010
Provérbios
W-Homem velho e mulher nova, filhos até à cova.
W-Homem velho e mulher nova, corno ou cova.
W-Honra e proveito, não cabem em saco estreito.
W-Honra e proveito, não fazem jeito.
W-Horta sem água, casa sem telhado,marido sem cuidado, de graça é caro.
W-Hóspede em casa, é dia santo.
W-Hóspede e pescada, aos três dias enfada.
W-Hóspede que jejua e não ceia, bem vindo seja.
W-Guerra começada, só Deus sabe quando acabada.
W-Guimarães, a cada porta sete cães.
wwwwwwwwwwww
W-Homem velho e mulher nova, corno ou cova.
W-Honra e proveito, não cabem em saco estreito.
W-Honra e proveito, não fazem jeito.
W-Horta sem água, casa sem telhado,marido sem cuidado, de graça é caro.
W-Hóspede em casa, é dia santo.
W-Hóspede e pescada, aos três dias enfada.
W-Hóspede que jejua e não ceia, bem vindo seja.
W-Guerra começada, só Deus sabe quando acabada.
W-Guimarães, a cada porta sete cães.
wwwwwwwwwwww
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Velho
terça-feira, 19 de Janeiro de 2010
Provérbios
* Do mar se tira o sal e da mulher muito mal.
*Do peixe a pescada, da ave a perdiz da carne a vitela.
*Doença bem tratada, poucas vezes é demorada.
*Do mal guardado, come o gato.
*Do homem assinalado, sê desconfiado: Deus o assinalou algum defeito lhe achou.
*Do adulador, quanto mais longe melhor.
*Ganha fama e põe-te a dormir.
*Ganha e poupa na mocidade, para teres na velhice.
*Ganha boa fama e deita-te a dormir.
*Ganhai o que souberes e poupai o que puderes.
*Ganhar o pão, com o suor do seu rosto.
***********************
*Do peixe a pescada, da ave a perdiz da carne a vitela.
*Doença bem tratada, poucas vezes é demorada.
*Do mal guardado, come o gato.
*Do homem assinalado, sê desconfiado: Deus o assinalou algum defeito lhe achou.
*Do adulador, quanto mais longe melhor.
*Ganha fama e põe-te a dormir.
*Ganha e poupa na mocidade, para teres na velhice.
*Ganha boa fama e deita-te a dormir.
*Ganhai o que souberes e poupai o que puderes.
*Ganhar o pão, com o suor do seu rosto.
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Sal
quinta-feira, 14 de Janeiro de 2010
Viagens na Nossa Terra
VALE DE SANTARÉM

Almeida Garret
O Vale de Santarém é um destes lugares privilegiados pela natureza,
sítios amenos e deleitosos em que as plantas, o ar, a situação,
tudo está numa harmonia perfeita: não há ali nada grandioso nem
sublime, mas há uma como simetria de cores, de sons,
de disposição em tudo quanto se vê e se sente, que não parece senão
que a paz, a saúde, o sossego do espírito e o repouso do coração
devem viver ali. As paixões más, os pensamentos mesquinhos,
os pesares e as vilezas da vida não podem senão fugir para longe.
Imagina-se por aqui o Éden que o primeiro homem habitou com a sua
inocência e com a virgindade do seu coração.
À esquerda do vale, e abrigado do norte pela montanha que ali se corta
quase a pique, está um maciço de verdura do mais belo viço e variedade.
A faia, o freixo, o àlamo entrelaçam os ramos amigos;
a madressilva, a musqueta penduram de um a outro suas grinaldas
e festões; a congosa, os fetos, a malva-rosa do valado
vestem alcatifam o chão. (...)
««««««««»»»»»»»
O Vale de Santarém é um destes lugares privilegiados pela natureza,
sítios amenos e deleitosos em que as plantas, o ar, a situação,
tudo está numa harmonia perfeita: não há ali nada grandioso nem
sublime, mas há uma como simetria de cores, de sons,
de disposição em tudo quanto se vê e se sente, que não parece senão
que a paz, a saúde, o sossego do espírito e o repouso do coração
devem viver ali. As paixões más, os pensamentos mesquinhos,
os pesares e as vilezas da vida não podem senão fugir para longe.
Imagina-se por aqui o Éden que o primeiro homem habitou com a sua
inocência e com a virgindade do seu coração.
À esquerda do vale, e abrigado do norte pela montanha que ali se corta
quase a pique, está um maciço de verdura do mais belo viço e variedade.
A faia, o freixo, o àlamo entrelaçam os ramos amigos;
a madressilva, a musqueta penduram de um a outro suas grinaldas
e festões; a congosa, os fetos, a malva-rosa do valado
vestem alcatifam o chão. (...)
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V. Santarém
segunda-feira, 11 de Janeiro de 2010
Viagens na Nossa Terra

MODA ALENTEJANA
(Para os cantadores de Montes Velhos)
(Para os cantadores de Montes Velhos)
A ribeira do Xacafre
Vai rasa dos meus cuidados:
No escuro das águas tristes,
Há laivos ensanguentados...
Ó meus olhos, ó meus olhos,
- Noite e dia - que estais vendo?
A ribeira do Xacafre,
Da minha alma discorrendo!
- Noite e dia - que estais vendo?
A ribeira do Xacafre,
Da minha alma discorrendo!
Na ribeira do Xacafre,
Uma voz suspira fundo:
A voz da minha saudade,
A despedir-se do mundo!
Aldeia de Montes Velhos,
Não posso querer-te mais:
És a luz do sol-nascente,
Abrindo, em flor, nos meus ais!
Não posso querer-te mais:
És a luz do sol-nascente,
Abrindo, em flor, nos meus ais!
Aldeia de Montes Velhos
És sempre luz de Alvorada
És sempre rosa de altar
Da chama de uma queimada!
Eu hei-de florir na urze,
Arder no vento suão,
Lá, na Charneca das Naves,
- Mar alto da Solidão!
Arder no vento suão,
Lá, na Charneca das Naves,
- Mar alto da Solidão!
Beja
Terra de Mário Brandão
Terra de Mário Brandão
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Xacafre
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