
Os amantes sem dinheiro
Tinham o rosto aberto a quem passava.
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão.
Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados;
e olhos de oiro
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.
Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.
Eugénio de Andrade
7 comentários:
Como eu entendo o Poeta!
Quanta tristeza,quanta nostalgia se pouparia,se se tivesse um certo cuidado quando falamos.Ah,e o tom de voz...como ele é importante.
Parabéns pela escolha deste Poeta ilustre.
Bom Domingo.
Beijo.
isa.
Adoro Eugênio de Andrade e este poema em especial!
Sou das que optam pela palavra sempre que possível!
Mas a gente devia falar exatamente disto que nos assusta e nos afasta do outro.
O silêncio quando devíamos falar, a palavra errada quando devíamos ter ficado quietos:instauram-se o drama da convivência e a dificuldade de amor.
Um abraço
Meu amigo
um dos mais belos poemas de Eugénio de Andrade.
Beijinhos
Sonhadora
AVEIRARTE: delicia-me passar pelo seu "palavras..." e dar de caras com a bela poesia dos mais queridos poetas da nossa terra. Parece-me que ainda estou na sala de aula ,a tentar tudo para que os alunos vibrassem...
Beijo de
LUSIBERO
Belo poema ,que a nossa juventude possa apreciar estavas palavras tão bem escritas. Obrigada M.Céu Afonso
Eh como comentastes no meu ultimo post.
As palavras acariciam , mas tambem podem ferir. Mesmo assim acho que colocar a lingua pra fora evita indigestão e dores de cabeça. rsrs
Um abraço amigo e otima semana.
...por que este cantinho que
cheira a poesia está
abandonado?
bjbjbj
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