Seguidores

sábado, 3 de abril de 2010

Páscoa

Que o seu coração, esteja em Páscoa....sempre


***

-----------


-------------




««««»»»»

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Boas Festas


*********++++++*********

terça-feira, 30 de março de 2010

Poetas da Nossa Terra



O tempo acaba o ano, o mês e a hora


O tempo acaba o ano, o mês e a hora,
A força, a arte, a manha, a fortaleza;
O tempo acaba a fama e a riqueza,
O tempo o mesmo tempo de si chora;

O tempo busca e acaba o onde mora
Qualquer ingratidão, qualquer dureza;
Mas não pode acabar minha tristeza,
Enquanto não quiserdes vós, Senhora.

O tempo o claro dia torna escuro
E o mais ledo prazer em choro triste;
O tempo, a tempestade em grão bonança.

Mas de abrandar o tempo estou seguro
O peito de diamante, onde consiste
A pena e o prazer desta esperança.

domingo, 28 de março de 2010

Poetas da Nossa Terra


Fiz com as fadas uma aliança - Natália Correia

Fiz com as fadas uma aliança.
A deste conto nunca contar.
Mas como ainda sou criança
Quero a mim própria embalar.
.
Estavam na praia três donzelas
Como três laranjas num pomar.
Nenhuma sabia para qual delas
Cantava o príncipe do mar.
.
Rosas fatais as três donzelas
A mão da espuma as desfolhou.
Nenhuma soube para qual delas
O príncipe do mar cantou.

********************

quinta-feira, 25 de março de 2010

Poetas da Nossa Terra



PERDÃO


Aqui me tens, meu Deus, em confissão.
Não roubei. Não matei. Não caluni
ei.
Mas nem sempre segui a tua lei,
nem sempre fui a irmã do meu irmão.

Não recusei aos outros o meu pão.
Amor, algumas vezes, recusei.
Mas por tudo o que dei e o que não dei,
eu te peço, meu Deus, o teu perdão.

Perdão para os meus erros consientes
e para os meus pecados inocentes,
para o mal que já fiz e ainda fizer...

Perdão para esta culpa original,
para este longo e complicado mal:
o crime sem perdão de ser mulher.

Fernanda de Castro

segunda-feira, 22 de março de 2010

Poetas da Nossa Terra


JOSÉ RÉGIO


Surge Janeiro frio e pardacento
Descem da serra os lobos ao povoado;
Assustam-se os fantoches em São Bento
e o decreto da fome é publicado.

Edita-se a novela do Orçamento;
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do novo parlamento
Usufruem seis contos de ordenado.

E enquanto à fome o povo se estiola,
Certo santo pupilo de Loyola,
Mistura de judeu e vilão.

Também faz o pequeno sacrifício
De trinta contos só! por seu ofício
Receber, a bem dele...e da nação.

Soneto (quase inédito), escrito em 1969 no dia
da reunião de antigos alunos.

»»»»»»»»»«««««««««

sexta-feira, 19 de março de 2010

Poetas da Nossa Terra






A Idade dos Lilases
Dórdio Guimarães


Mulher
No tempo dos cabelos agitas a paz em amor
Todos os dias por ti
O universo se faz e tu não sabes não

Amanhã a mulher joga a vida num vale de lilases
Dele irrompe cheirosa a flor
Que é pródiga em lis e lases
E serei tudo o que de mais fértil o teu ventre der
Mulher

Na estrada à noite não pode haver desacordo
Eia tanta gente amiga são as árvores
posted by bissaide

terça-feira, 16 de março de 2010

Poetas da Nossa Terra


Sobre Estas Duras, Cavernosas Fragas

BOCAGE

Sobre estas duras, cavernosas fragas,
Que o marinho furor vai carcomendo,
Me estão negras paixões n’alma fervendo
Como fervem no pego as crespas vagas.

Razão feroz, o coração me indagas,
De meus erros e sombra esclarecendo,
E vás nele (ai de mim!) palpando, e vendo
De agudas ânsias venenosas chagas.

Cego a meus males, surdo a teu reclamo,
Mil objetos de horror co’a idéia eu corro,
Solto gemidos, lágrimas derramo.

Razão, de que me serve o teu socorro?
Mandas-me não amar, eu ardo, eu amo;
Dizes-me que sossegue: eu peno, eu morro.

##########

sexta-feira, 12 de março de 2010

Poetas da Nossa Terra

António Ramos Rosa


http://www.mondobhz.com.br/userfiles/image/literatura/noticia/2009/08/antonioRamosRosa.jpg



Da grande página aberta do teu corpo


Da grande página aberta do teu corpo
sai um sol verde
um olhar nu no silêncio de metal
uma nódoa no teu peito de água clara

Pela janela vejo a pequenina mão
de um insecto escuro
percorrer a madeira do momento intacto
meus braços agitam-te como uma bandeira em brasa
ó favos de sol

Da grande página aberta
sai a água de um chão vermelho e doce
saem os lábios de laranja beijo a beijo
o grande sismo do silêncio
em que soberba cais vencida flor



António Ramos Rosa
in Antologia Poética
Selecção de Ana Paula Coutinho Mendes

terça-feira, 9 de março de 2010

Poetas da Nossa Terra



Fernanda de Castro



Até que um Dia...

"Meus versos eram rosas, lírios, heras,
borboletas, regatos, cotovias
cantando suas doces melodias,
anjos, sereias, ninfas e quimeras.

Meus versos eram pombas entre as feras
e, na festa das horas e dos dias,
ia dançando penas e alegrias
e o ano tinha quatro primaveras.

E a festa continua... é também festa
o cardo e a urze, o tojo, a murta, a giesta,
a chuva no beiral, o vento Norte,

o gosto a mar, a lágrimas, a sal,
até que um dia a vida, a bem ou mal,
exausta de cantar me empreste à morte."

Fernanda de Castro, in «E Eu, Saudosa, Saudosa»