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sábado, 3 de abril de 2010
sexta-feira, 2 de abril de 2010
terça-feira, 30 de março de 2010
Poetas da Nossa Terra

O tempo acaba o ano, o mês e a hora, A força, a arte, a manha, a fortaleza;O tempo acaba a fama e a riqueza, O tempo o mesmo tempo de si chora; O tempo busca e acaba o onde mora Qualquer ingratidão, qualquer dureza; Mas não pode acabar minha tristeza, Enquanto não quiserdes vós, Senhora. O tempo o claro dia torna escuro E o mais ledo prazer em choro triste; O tempo, a tempestade em grão bonança. Mas de abrandar o tempo estou seguro O peito de diamante, onde consiste A pena e o prazer desta esperança. | |
domingo, 28 de março de 2010
Poetas da Nossa Terra
Fiz com as fadas uma aliança - Natália Correia
A deste conto nunca contar.
Mas como ainda sou criança
Quero a mim própria embalar.
.
Estavam na praia três donzelas
Como três laranjas num pomar.
Nenhuma sabia para qual delas
Cantava o príncipe do mar.
.
Rosas fatais as três donzelas
A mão da espuma as desfolhou.
Nenhuma soube para qual delas
O príncipe do mar cantou.
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quinta-feira, 25 de março de 2010
Poetas da Nossa Terra
PERDÃO
Não roubei. Não matei. Não caluniei.
Mas nem sempre segui a tua lei,
nem sempre fui a irmã do meu irmão.
Não recusei aos outros o meu pão.
Amor, algumas vezes, recusei.
Mas por tudo o que dei e o que não dei,
eu te peço, meu Deus, o teu perdão.
Perdão para os meus erros consientes
e para os meus pecados inocentes,
para o mal que já fiz e ainda fizer...
Perdão para esta culpa original,
para este longo e complicado mal:
o crime sem perdão de ser mulher.
segunda-feira, 22 de março de 2010
Poetas da Nossa Terra
Descem da serra os lobos ao povoado;
Assustam-se os fantoches em São Bento
e o decreto da fome é publicado.
Edita-se a novela do Orçamento;
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do novo parlamento
Usufruem seis contos de ordenado.
E enquanto à fome o povo se estiola,
Certo santo pupilo de Loyola,
Mistura de judeu e vilão.
Também faz o pequeno sacrifício
De trinta contos só! por seu ofício
Receber, a bem dele...e da nação.
Soneto (quase inédito), escrito em 1969 no dia
da reunião de antigos alunos.
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sexta-feira, 19 de março de 2010
Poetas da Nossa Terra
A Idade dos Lilases
Dórdio Guimarães
No tempo dos cabelos agitas a paz em amor
Todos os dias por ti
O universo se faz e tu não sabes não
Amanhã a mulher joga a vida num vale de lilases
Dele irrompe cheirosa a flor
Que é pródiga em lis e lases
E serei tudo o que de mais fértil o teu ventre der
Mulher
Na estrada à noite não pode haver desacordo
Eia tanta gente amiga são as árvores
terça-feira, 16 de março de 2010
Poetas da Nossa Terra
Sobre estas duras, cavernosas fragas,
Que o marinho furor vai carcomendo,
Me estão negras paixões n’alma fervendo
Como fervem no pego as crespas vagas.
Razão feroz, o coração me indagas,
De meus erros e sombra esclarecendo,
E vás nele (ai de mim!) palpando, e vendo
De agudas ânsias venenosas chagas.
Cego a meus males, surdo a teu reclamo,
Mil objetos de horror co’a idéia eu corro,
Solto gemidos, lágrimas derramo.
Razão, de que me serve o teu socorro?
Mandas-me não amar, eu ardo, eu amo;
Dizes-me que sossegue: eu peno, eu morro.
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sexta-feira, 12 de março de 2010
Poetas da Nossa Terra
Da grande página aberta do teu corpo |
| Da grande página aberta do teu corpo sai um sol verde um olhar nu no silêncio de metal uma nódoa no teu peito de água clara Pela janela vejo a pequenina mão de um insecto escuro percorrer a madeira do momento intacto meus braços agitam-te como uma bandeira em brasa ó favos de sol Da grande página aberta sai a água de um chão vermelho e doce saem os lábios de laranja beijo a beijo o grande sismo do silêncio em que soberba cais vencida flor António Ramos Rosa in Antologia Poética Selecção de Ana Paula Coutinho Mendes |
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terça-feira, 9 de março de 2010
Poetas da Nossa Terra
Fernanda de Castro
Até que um Dia...
borboletas, regatos, cotovias
cantando suas doces melodias,
anjos, sereias, ninfas e quimeras.
Meus versos eram pombas entre as feras
e, na festa das horas e dos dias,
ia dançando penas e alegrias
e o ano tinha quatro primaveras.
E a festa continua... é também festa
o cardo e a urze, o tojo, a murta, a giesta,
a chuva no beiral, o vento Norte,
o gosto a mar, a lágrimas, a sal,
até que um dia a vida, a bem ou mal,
exausta de cantar me empreste à morte."
Fernanda de Castro, in «E Eu, Saudosa, Saudosa»


