Quem
diria que o prego, ou bife no pão, surge em Portugal na Praia das Maçãs?
"A
verdadeira história está relacionada com o nome Manuel Dias Prego, um dos
primeiros habitantes da Praia das Maçãs no final do século XIX, local onde era proprietário
de uma taberna. A Taberna do Prego. Ora nessa taberna Manuel Prego servia
fatias de vitela fritas ou assadas em pão saboroso e acompanhadas de vinho da
região.
Rapidamente
a carne em pão se tornou um sucesso na Praia das Maçãs e arredores. Diz-se que
terá sido nesse local que José Malhoa pintou o seu famoso quadro “Praia das
Maçãs”. Quem sabe se saboreando tal iguaria enquanto pintava!
Com
o passar dos anos, o nome da sandes passou a ser vulgarmente conhecida como
Prego, em honra do seu criador, sendo que no início do século XX já havia sido
copiada a receita para outros locais, começando o Prego a fazer parte das
ementas das tabernas de todo país e não só de Sintra."
Reza a lenda que um frade pobre e faminto, que andava em peregrinação,
chegou a Almeirim. Com o estômago a dar horas, bateu à porta da casa de uns
aldeões. Porém, por ser demasiado orgulhoso para pedir uma refeição, pediu
aos donos da casa que lhe emprestassem uma panela para preparar uma sopa
deliciosa só com uma pedra.
Os que o recebiam, ansiosos por perceber como é que isso era possível,
acederam ao seu pedido. O frade apanhou uma pedra do chão, sacudiu-a e entrou
na casa.
O frade colocou a panela ao lume só com a pedra e um pouco de água.
Questionado pela dona da casa sobre se não precisaria de mais alguma coisa,
respondeu que era preciso temperar a sopa… A mulher deu-lhe o sal, mas ele
sugeriu que para ficar melhor, devia levar um fiozinho de azeite.
Depois pediu um pouco de toucinho, batatas, feijão, carne, enchidos, uns
temperos… E por aí fora, até a panela estar cheia de coisas boas e a sopa
cheirar cada vez melhor.
Quando o frade acabou de a confecionar, comeu-a. No fundo da panela, ficou
apenas a pedra. A gente da casa que viu o frade confecionar a sopa
perguntou-lhe por que ficara ali a pedra. A isto, o clérigo respondeu
prontamente: “A pedra, agora lavo-a e levo-a comigo para outra vez”.
E assim nasceu a lenda de uma das mais famosas especialidades de Almeirim!
Há muitos séculos, quando ainda Portugal não existia, reinava
em Chelb, a futura Silves, o rei árabe Ibn-Almundim. Um rei que
nunca tinha conhecido uma derrota.
Um dia, entre os prisioneiros de uma batalha, viu uma
bela jovem de olhos azuis e cabelos e pele clara. Era Gilda, a Princesa do
Norte.
Impressionado com a rapariga, o rei mouro deu-lhe a liberdade. Aos poucos
foi conquistando a sua confiança e um dia confessou-lhe o seu amor e pediu-lhe
para ser sua mulher.
Foram muito felizes mas a agora rainha, à medida que os anos passavam,
ficava cada vez mais triste e melancólica… Um tempo mais tarde, o rei
conseguiu finalmente que Gilda lhe confessasse o motivo da sua tristeza. A bela
Princesa do Norte sentia saudades de ver os campos da sua terra natal cobertos
de neve. Já não podia olhar para aquele branco sem fim e isso deixava-a triste.
Receoso por perder a amada, o rei teve uma ideia: ordenou para que em todo o
Algarve se plantassem amendoeiras. Desta forma, quando abrissem em flor,
pareceria que tinha nevado.
Na primavera seguinte, o rei levou Gilda à janela do terraço do castelo. Ao
ver as flores brancas
das amendoeiras, a princesa começou a sentir-se
melhor e a recuperar forças. Aquela visão indiscritível das flores brancas davam-lhe
a ilusão da neve e as saudades de Gilda desapareceram.
O rei e a princesa viveram felizes para sempre, esperando todas as
primaveras, pelo belíssimo espetáculo das amendoeiras em flor.
Há muito, muito tempo, a cidade de Bragança foi a aldeia da Benquerença.
Nessa altura, vivia no castelo uma princesa órfã com o seu tio.
A princesa apaixonou-se por um nobre e valente cavaleiro que também gostava
muito dela. No entanto, o rapaz era pobre e sabia que nessas condições não
podia aspirar a casar com a princesa. Decidiu, então, partir em busca de
fortuna, prometendo-lhe voltar só quando se sentisse digno de a pedir em
casamento.
Durante muitos anos a princesa esperou o seu
apaixonado e recusou todas as propostas de casamento que iam aparecendo. Farto
desta situação, o tio da jovem resolveu
forçá-la a casar-se com um nobre cavaleiro seu
amigo.
Quando a princesa conheceu o cavaleiro, disse-lhe
que o seu coração pertencia a outro que havia de voltar um dia.
O tio, mais furioso do que nunca com o sucedido, resolveu vingar-se.
Assim, durante a noite, mascarou-se de fantasma e entrou por uma das duas
portas do quarto da princesa. Uma vez lá dentro,
disse-lhe que esta seria condenada para sempre
se não aceitasse casar com o cavaleiro.
A princesa, aterrorizada, estava quase a prometer ao fantasma que casaria
com o amigo do tio… Mas eis que a outra porta do quarto se abriu e um raio de
sol entrou pelo quarto desmascarando o seu tio.
Desde então, a princesa nunca mais foi obrigada a quebrar a sua promessa e
ficou sempre a morar naquela torre, que até hoje é conhecida pela Torre da
Princesa. Já as duas portas dos seus aposentos ficaram conhecidas pela Porta da
Traição e Porta do Sol.
Conta-se que há muitos, muitos anos, no lugar onde se situa a freguesia das
Sete Cidades, existiu um grande reino. Nele viveu uma princesa de olhos azuis,
muito bela e bondosa, de seu nome Antília.
A princesa gostava muito da vida campestre e de passear pelos campos,
apreciando tudo o que a natureza tem de bom.
Um dia, durante um dos seus passeios, a jovem princesa passou por um prado
onde pastava um rebanho. Ali perto, tomando conta do rebanho, estava um
simpático pastor de olhos verdes, com quem a princesa decidiu conversar.
Daí em diante passaram a encontrar-se todos os dias para conversar. O tempo
foi passando e os dois jovens tornaram-se cada vez mais próximos e apaixonados.
Quem não gostou de saber que a princesa e o pastor se andavam a encontrar
foi o rei. Ele queria que a sua filha casasse com um príncipe de um dos reinos
vizinhos e, por isso, proibiu-a de voltar a ver o pastor.
A princesa acabou por aceitar a cruel decisão do pai, mas pediu-lhe que a
deixasse encontrar-se mais uma vez com o pastor para se despedir. Um pedido que
o rei aceitou.
Encontraram-se pela última vez nos campos verdes onde se tinham conhecido.
Falaram, como de costume, sobre o seu amor e também da separação imposta pelo
Rei. E choraram. Choraram muito. Tanto que junto aos seus pés aos poucos foram
crescendo duas lagoas. Uma delas, com águas de cor azul, nasceu das
lágrimas derramadas pelos olhos azuis da princesa. A outra, de cor verde,
nasceu das lágrimas derramadas dos olhos verdes do pastor.
Se os dois apaixonados não puderam viver juntos para
sempre, pelo menos as lagoas nascidas das suas lágrimas ficaram juntas para
sempre.
A lenda do Galo de Barcelos é talvez uma das lendas de Portugal mais
conhecidas. Reza a lenda que os habitantes de Barcelos andavam alarmados com um
crime, cujo responsável ainda não tinha sido descoberto. Até que um certo dia,
um peregrino galego apareceu na cidade e tornou-se suspeito.
Apesar de jurar inocência, dizendo que estava apenas de passagem em
peregrinação a Santiago de Compostela, as autoridades resolveram prendê-lo.
O peregrino foi preso e condenado à forca. Como
última vontade, pediu que o levassem até ao juiz que o tinha condenado. Quando
chegaram à residência do magistrado, o juiz estava a deliciar-se com alguns
amigos com um grande banquete.
O peregrino voltou a afirmar a sua inocência e suplicou
para não ser enforcado. Perante a incredulidade dos presentes,
apontou para um galo assado que estava sobre a mesa, e exclamou: “É tão certo
eu estar inocente, como certo é esse galo cantar quando me enforcarem”.
Gargalhadas e risos não se fizeram esperar, mas pelo sim e pelo não, ninguém
comeu o galo. Até que o que parecia impossível aconteceu. Quando o peregrino
estava a ser enforcado, o galo ergueu-se na mesa e cantou! Afinal, o homem
estava mesmo inocente!
O juiz correu para a forca e quando lá chegou, ficou atónito com o que viu.
O galego estava vivo, com uma corda lassa à volta do pescoço. O homem
foi imediatamente solto e mandado em paz. Anos mais tarde voltou a Barcelos e
ergueu o Monumento do Senhor do Galo em louvor à Virgem Maria e a Santiago
Maior.
Cidade deSetúbal enfeitada para a festa de São Pedro
.
Tal como São João e Santo António, São Pedro é um santo popular muito estimado. É o último santo popular de acordo com as datas, apesar das cantigas populares.
Este dia é também conhecido como o dia São Pedro e São Paulo. Julga-se que 29 de junho é a data do aniversário da morte destes santos. Neste dia, celebra-se também o Dia do Papa, visto São Pedro ter sido o primeiro Papa da Igreja Católica.
Para diferenciar São Pedro de outros santos homónimos, costuma-se designá-lo como São Pedro Apóstolo.
São Pedro nasceu em Betsaida, na Galileia, e era pescador. Ele conheceu Jesus em Betânia, através de seu irmão André.
Seu nome original era Simão, mas Jesus lhe chamou de Cefas (Rocha, do grego Petros), cuja tradução é Pedro, e o instituiu como líder da Igreja: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16:18).
Ao seguir o Messias, Pedro abandonou seu passado como pescador de
peixes e se tornou pescador de homens como um dos doze apóstolos. Após a
ressurreição de Cristo, Pedro seguiu na sua missão de erguer a Igreja.
Em Jerusalém, São Pedro encontrou-se com São Paulo, e o apoiou na decisão de expandir o cristianismo também para os não judeus.
A tradição católica considera São Pedro como o primeiro Papa. O
martírio de São Pedro ocorreu em Roma, sendo crucificado de cabeça para
baixo na Colina Vaticana, provavelmente no ano de 64 d.C.
Na Bíblia, a trajetória de São Pedro pode ser lida nos Evangelhos de
Mateus, Marcos, Lucas e João. Além disso, ele escreveu também duas
epístolas e há registo de sua vida nos livros de Atos dos Apóstolos e
nas epístolas de Paulo.
A data é celebrada no mês dos santos populares - junho - e a tradição manda que a população festeje a data decorando as ruas com várias cores e manjericos.
Procissões, bailes e marchas populares são organizadas nas ruas e a música está sempre presente. Na gastronomia, a sardinha assada, o pimento, broa, caldo verde e vinho são os elementos principais da festa.
Algumas cidades celebram o feriado municipal no dia
de São Pedro, como por exemplo: Póvoa de Varzim, Sintra, Montijo, Évora,
Castro Verde, São Pedro do Sul, Seixal, Macedo de Cavaleiros, Ribeira
Grande, Felgueiras e Bombarral.
Na noite de 23 de junho, os céus do Porto enchem-se de luz e cor por causa do lançamento de balões de ar quente.
Esta tradição está inserida numa prática de culto pagão ao sol e à luz.
Para além do simbolismo associado, tem a beleza de ser um ato de grupo,
em que todos contribuem entusiasticamente para acender o balão de São João e depois contemplam-no juntos enquanto ele sobe e se torna um pontinho luminoso no céu.
Nos últimos anos, as autoridades introduziram limitações à venda de
balões, de modo a evitar incêndios. A tradição de lançar balões foi
restringida, uma vez que a queda de balões chegou mesmo a causar alguns
incêndios.
Alho-porro e martelo de plástico
Por visualcortex
Não há São João sem que nos batam com alho-porro ou um martelo de plástico na cabeça. Mas de onde vem esta tradição um pouco provocatória? Em meados do século XIX, havia três festividades distintas no São João do Porto
(na Lapa, em Cedofeita e no Bonfim). As pessoas moviam-se entre as
diferentes festividades em grandes rusgas, e iam apanhando alho-porro
selvagem pelo caminho e levavam-no para casa. De seguida, colocavam-no
atrás da porta da rua, para proteger a sua casa contra os maus espíritos
durante todo o ano seguinte.
Para além disso, o alho-porro era também usado pelos rapazes como
forma de estabelecer contacto com as raparigas com quem se cruzavam
durante as rusgas. Mais recentemente, o alho-porro foi destronado pelos
populares martelos de plástico, que servem para bater na cabeças das
pessoas.
Os martelos são bastante coloridos e fazem um barulho estridente
quando se bate com eles, para além de muitos deles possuírem um assobio
na extremidade. Ou seja, representam o “acordar” da cidade e das pessoas
para as alegrias do verão, depois de um inverno escuro e tristonho.
Há marchas populares que enchem de cor as ruas de todo o país, mas sem dúvidas que as mais conhecidas são as de Lisboa em honra de Santo António, o padroeiro da cidade. As marchas populares de Lisboa remontam a 1932, quando foram organizadas as primeiras marchas competitivas, sob orientação do cineasta Leitão de Barros.
Os santos populares já eram festejados nas ruas da cidade e havia a
memória das “velhas marchas populares” de cada bairro, chamadas também
de ranchadas. Naquela noite de 12 de junho de 1932, Alto do Pina, Campo
de Ourique e Bairro Alto disputaram o primeiro concurso e o Parque Mayer
foi pequeno para tanta gente.
Atualmente, todos os anos, na noite de Santo António, crianças,
jovens e adultos vestidos a rigor, com os arcos na mão, a música e a
coreografia na cabeça e o orgulho no seu bairro no coração, desfilam
pela Avenida da Liberdade.
Casamentos de Santo António
Santo António é conhecido como o santo casamenteiro,
por isso não poderia ser outro santo a apadrinhar o amor. Foi em 1958
que, pela primeira vez, 36 casais ficaram unidos pelo matrimónio na
Igreja de Santo António. O objetivo da iniciativa, então patrocinada
pelo Diário Popular, era possibilitar o casamento a casais com maiores
dificuldades financeiras.
Depois de 16 anos de concorridas edições, a tradição foi interrompida
em 1974. Trinta anos depois, a Câmara Municipal de Lisboa recuperou os
casamentos de Santo António com o mesmo propósito de proporcionar a 16
casais um dia de sonho e memorável.
Outra tradição que não pode faltar nos santos populares é o manjerico.
Mas sabe porque é que o manjerico é a planta oficial desta época do
ano? Também é conhecido como a “erva dos namorados” porque, de acordo
com a tradição, os rapazes davam um pequeno vaso de barro com um
manjerico às namoradas, por altura do Santo António, o Santo casamenteiro.
Naquela época, oferecer um manjerico significava um
compromisso tão forte como um pedido de casamento. A namorada, ao
receber o manjerico, devia tratar da planta durante um ano até o
manjerico ser substituído no dia de Santo António do ano seguinte.
Esta planta é na verdade uma erva aromática que cresce na primavera
e, por essa razão, por altura do Santo António, tem já o tamanho ideal
para se tirar da terra e colocar em vasos. O que acontece é que o manjerico
é uma planta muito sensível e necessita de grandes cuidados. Há muita
gente que acredita até que não se pode cheirar diretamente o manjerico,
mas quem domina a botânica diz que isso é um mito e que os manjericos
duram pouco tempo de qualquer maneira.
Hoje em dia, o vaso de manjerico não está completo se não tiver um cravo feito em papel e uma pequena bandeira com uma quadra popular
quase sempre alusiva ao amor. Os jovens apaixonados pedem uma ajuda aos
três Santos para encontrarem um amor para toda a vida, ou pelo menos
para o festivo mês de junho.
O manjerico comprado
Não é melhor que o que dão.
Põe o manjerico ao lado
E dá-me o teu coração.
No dia de Santo António
Todos riem sem razão.
Em São João e São Pedro
Como é que todos rirão?
Manjerico que te deram,
Amor que te querem dar…
Recebeste o manjerico.
O amor fica a esperar.