PORTO da minha infância
Lisboa em gesso Branco, o Porto em pedra escura, Sobre os abruptos alcantis do Douro; Esse rio que vem, de longe, solitário, Cobris-se de asas brancas de navios E de negros canudos de vapores. Encostados aos cais, depõem a férrea carga. Outros, vão demandando a barra e o farolim, Que dá uma luz, tão triste! em noites invernosas. Distante, no poente, esfuma-se uma nódoa, Em verdes tons fluidos que palpitam Numa névoa indecisa, vaga imagem Da tristeza do mar pintada em nossos olhos. Porto da minha infância! A primeira impressão que me causaste Tenho-a, cheia de espanto, na memória, Cheia de bruma e e de granito! É uma impressão de inverno, Sombra cinzenta, enorme, donde irrompe Alto cipreste empedernido, No meio de sepulcros habitados. (...) +++****+++