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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Joaquim Pessoa


Poema


De esperas construímos o amor intenso e súbito

que encheu as tuas mãos de sol e a tua boca de beijos.

Em estranhos desencontros nos amamos.

Havia o rio mas sempre ficávamos na margem.

Eu tocava o teu peito e os teus olhos e, nas minhas mãos,

a tarde projectava as suas grandes sombras

enquanto as gaivotas disputavam sobre a água

talvez um peixe inquieto, algo que nunca pudemos ver.

As nossas bocas procuravam-se sempre, ávidas e macias

E por muito tempo permaneciam assim, unidas,

Machucando-se, torturando as nossas línguas quase enlouquecidas.

Depois olhava-mo-nos nos olhos

No mais profundo silêncio. E, sem palavras,

Partíamos com as mãos docemente amarradas e os corações estoirando uma alegria breve

Quando a noite descia apaixonada

Como o longo beijo da nossas despedida.


Joaquim Pessoa

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Proverbios


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sábado, 26 de setembro de 2009

Poesia de - Patrícia Taz



NÓS

Tirado de um livro que uma amiga acabou de editar. Outros irão aparecendo.


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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Joaquim Pessoa


AMOR COMBATE

Meu amor que eu não sei. Amor que eu canto. Amor que eu digo.
Teus braços são a flor do aloendro.
Meu amor por quem parto. Por quem fico. Por quem vivo.
Teus olhos são da cor do sofrimento.

Amor-país.
Quero cantar-te. Como quem diz:

O nosso amor é sangue. É seiva. E sol. E primavera.
Amor intenso. Amor imenso. Amor instante.
O nosso amor é uma arma. E uma espera.
O nosso amor é um cavalo alucinante.

O nosso amor é um pássaro voando. Mas à toa.
Rasgando o céu azul-coragem de Lisboa,
Amor partindo. Amor sorrindo. Amor doendo.
O nosso amor é como a flor do aloendro.

Deixa-me soltar estas palavras amarradas
Para escrever com sangue o nome que inventei.
Romper. Ganhar a voz duma assentada.
Dizer de ti as coisas que eu não sei.
Amor. Amor. Amor. Amor de tudo ou nada.
Amor-verdade. Amor-cidade.
Amor-combate. Amor-Abril.
Este amor de liberdade.

Joaquim Pessoa


segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Proverbios

SETEMBRO



















* Setembro, vindimar.

*Setembro que enche o celeiro, dá triunfo ao rendeiro.

*Setembro, ou seca as fontes ou leve as pontes.

*Agosto madura, Setembro vindima.

*Setembro molhado, figo estragado.

*Setembro, cara de poucos amigos e manhã de figos.

*Setembro, andando e comendo.

*Passar com cão, por vinha vindimada.

*Nem mulher casada, nem vinha vindimada.

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sábado, 19 de setembro de 2009

Joaquim Pessoa

A todos e a cada um dos meus amigos


Por um por todos por nenhum

faço o meu canto canto a minha mágoa

num desencanto aberto pelo gume

deste pranto tão limpo como a água.

Por nenhum por todos ou por um

eu dou o meu poema o meu tecido

de palavras gravadas com o lume

do medo que na voz trago vencido.

Por nenhum por um mesmo por todos

sou a bala e o vinho sou o mesmo

que pisa as uvas os versos e o lodo

num chão onde a coragem nasce a esmo.



Joaquim Pessoa



terça-feira, 15 de setembro de 2009

Proverbios

VINDIMAS


&-Até ao lavar dos cestos é vindima.

&-Folgar galinha, que o galo é na vindima.

&-Gaba-te cesta rota, que vais para a vindima.

&-O velho põe a vinha e o velho a vindima.

&-Poda em Março, vindima no regaço.

&-Quem com o demo cava a vinha,

com ele a vindima.

&-Quem em ruim parte tem a vinha,

às costas tira a vindima.

&-Rainha é a galinha,que põe os ovos na vindima.

&-Ramo curto, vindima longa.

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domingo, 13 de setembro de 2009

Homenagem a Jorge de Sena

Azulejo a Jorge de Sena
situado em Aveiro




A Portugal

Esta é a ditosa pátria minha amada. Não.
Nem é ditosa, porque o não merece.
Nem minha amada, porque é só madrasta.
Nem pátria minha, porque eu não mereço
A pouca sorte de nascido nela.

Nada me prende ou liga a uma baixeza tanta
quanto esse arroto de passadas glórias.
Amigos meus mais caros tenho nela,
saudosamente nela, mas amigos são
por serem meus amigos, e mais nada.
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....................................................

Etc .Etc. Etc.

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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Proverbios





















* Mulher de mais má pinta, é a que mais a cara pinta.
* Mulher de cego, para quem se enfeita?.
*Mulher janeleira, raras vezes encarreira.
* Mulher de muita igreja, Deus nos proteja.
* Mulher que ao deitar e se sentar diz "há",
e ao subir e levantar diz "upa",
inda queres casar filha da puta.
* Mulher de nariz arrebitado, é levada do diabo.
* Mulher que a dois ama, ambos engana.
* Mulher e cão de caça,
procurai-os pela raça.
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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Joaquim Pessoa

Eu sei, não te conheço mas existes

Eu sei, não te conheço mas existes.
por isso os deuses não existem,
a solidão não existe
e apenas me dói a tua ausência
como uma fogueira
ou um grito.

Não me perguntes como mas ainda me lembro
quando no outono cresceram no teu peito
duas alegres laranjas que eu apertei nas minhas mãos
e perfumaram depois a minha boca.

Eu sei, não digas, deixa-me inventar-te.
ao é um sonho, juro, são apenas as minhas mãos
sobre a tua nudez
como uma sombra no deserto.
É apenas este rio que me percorre há muito e desagua em ti,
Porque tu és o mar que acolhe os meus destroços.
É apenas uma tristeza inadiável, uma outra maneira de habitares
Em todas as palavras do meu canto.

Tenho construído o teu nome com todas as coisas.
tenho feito amor de muitas maneiras,
docemente,
lentamente
desesperadamente
à tua procura, sempre á tua procura
até me dar conta que estás em mim,
que em mim devo procurar-te,
e tu apenas existes porque eu existo
e eu não estou só contigo
mas é contigo que eu quero ficar só
porque é a ti,
a ti que eu amo.
Joaquim Pessoa
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