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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Joaquim Pessoa






Q U E M




Quem empunhou o machado
e cortou a flor de lume?

Quem fez o estranho noivado
das estrelas com o estrume?

Quem nada na maré falsa
com braços de maré cheia?

Quem quer a fome descalça
por causa de um pé de meia?

Quem traz a vida aos soluços
no gume de uma navalha?

Quem põe um homemde bruços
por dá cá aquela palha?

Quem da vida faz um fardo
e da mentira o exemplo?

Quem da rosa faz um cardo
no altar do nossotemplo?

Quem é que se diz profeta
e é traidor na sua terra?

Quem é que fez da caneta
uma arma em pé de guerra?

Quem é que vende o meu povo
por interesse nacional?

Quem fez de Colombo um ovo
e descobriu Portugal?

Quem pretende que eu me cale
porque a poesia é perigosa?

Quem é que quer afinal
uma canção côr de rosa?

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Entrudo - Carnaval
















*Dos Santos ao Natal, cada dia mais mal;do Natal ao Entrudo, come-se capital e tudo.
*Entrudo borralheiro, Natal em casa, Páscoa na praça.
*Farta-te gato que é dia de Entrudo.
*Pelo Natal semeia o teu alhal, e se o quiseres cabeçudo. semeia-o pelo Entrudo.
*Quem quer o alho cabeçudo, semeia-o pelo Entrudo.
*Quer no começo quer no fundo, em Fevereiro vem o Entrudo.
*Pelo Entrudo, cartaxo penudo.
*Não há Entrudo sem Lua Nova nem Páscoa sem Lua Cheia.
*Alegria, Entrudo, que amanhã será cinza.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Proverbios - S. Valentim










*Arrufos de namorados,são amores dobrados.

*Cuidam os namorados que os outros têm os olhos fechados.

*Namoro é ramo de souto, vai um vem outro.

*Mulher janeleira, namorada ou rameira.

*Um bom namorado , dessimulado engana.

*Namorado de «ai ai», não são papas nem sal.
*Mais vale salteador que sai à estrada, que namorado que ajoelha.

*Pelejas de namorados são amores renovados.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Joaquim Pessoa






ALCÁCER QUE VIER


Em Alcácer eram verdes
as aves do pensamento.
Eram tão leves tão leves
como as lanternas do vento.

Em Alcácer eram verdes
os cavalos encarnados.
Eram tão fortes tão negros
como os punhos decepados.

Em Alcácer eram verdes
as armas que eu inventei.
Eram tão leves tão leves
tão leves que nem eu sei.

Em Alcácer eram verdes
os homens que não voltaram.
Eram tão verdes tão verdes
como os campos que deixaram.

Em Alcácer eram verdes
as maças feitas de lume.
Eram tão frias tão frias
como as dobras do ciúme.

Em Alcácer eram verdes
estas palavras que agora
são tão caladas tão cernes
tão feitas desta demora.

Em Alcácer eram verdes
as flôres da sepultura.
Eram tão verdes tão verdes
tão verdes como a loucura.

Em Alcácer era verde
meu amor o teu olhar.
Era tão verde tão verde
quase à beira de cegar.

Em Álcacer eram verdes
os lençóis onde morri.
Eram tão frios tão verdes
como os campos que eu não vi.

Em Alcácer eram verdes
as feridas do meu país.
Eram tão fundas tão verdes
como este mal de raiz.



quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Pensamentos















*Se você sabe que um dia vai achar graça do momento presente, você deve começar a rir desde agora.

*Veja os problemas como pequenos milagres que podem trazer-lhe sabedoria e mudança.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Joaquim Pessoa




AMOR COMBATE



(Cobardia)


Leonor


Não há cravos nem peixes. Não há erva
que alimente os cavalos da poesia.
Não há cornos que marrem esta merda
nem palavras que se enforquem de alegria.


Leonor vai descalça. E mutilada.
Nem formosa nem segura. Minha dor!
Não há cravos nem peixes. Não há nada.
As palavras morrem todas meu amor.


Não há cravos nem peixes. Não há erva
que alimente os cavalos da poesia.
Não há cornos que marrem esta merda
nem palavras que se enforquem de alegria.


Leonor: antes ser morta que ser serva!
Mil vezes mais a dor que a cobardia!

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Provérbios











* A Galinha de Janeiro vai pôr com sua mãe ao coluleiro.


*Cava fundo em Novembro, para plantar em Janeiro.


* A lebre em Janeiro está na baixa ou no lameiro.


* A pescada de Janeiro vale carneiro.


* A quem não traz calças em Janeiro não emprestes o teu dinheiro.


* A quem mente, cai-lhe um dente.


sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Joaquim Pessoa







POETA DE COMBATE





SONETO






Poeta de combate me chamaram.

De combate serei. Não mercenário!

Poeta de combate é um operário

das palavras que nunca se entregaram.




Poeta de combate! E porque não?

Sou poeta. Serei também soldado.

O meu canto será um canto armado

e o meu nome de guerra uma canção.



Poeta de combate me quiseram

os que cedo da luta desertaram

ou aqueles que nunca combateram.



Poeta de combate eu hei-de ser

até quando o meu povo precisar

ou nada mais houver a combater.



quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Soneto de Joaquim Pessoa






Alguém ousou criticar o Joaquim, pelo




'servilismo dos seus versos'





Teve a devida resposta.

Isto é;Joaquim Pessoa








Faço o que faço. E tenho o que mereço.


Verbo de pedra. Canto que é de aço.


Teias de aranha em verso não teço.


Punhetas literárias não as faço.





Sirvo quem sirvo. E disso não me esqueço.


Nunca serviu quem serve de palhaço!


Faço o que faço. E tenho o que mereço.


Esta luta constrói-se braço a braço.





Escrevo o que escrevo. Glórias não as peço.


Se um cálice levanto.......é de bagaço.


Canto o meu povo. Um povo que eu conheço.





Cantar é ganhar tempo. E ganhar espaço.


Se parar sei que morro ou enlouqueço.


O canto é uma bala. Ou um abraço.


terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Pensamentos





*É tão grande a preocupação de deixar um planeta melhor para os nossos filhos, que nos esquecemos de deixar filhos melhores para o nosso planeta.




*Amizade é;........multiplicar alegrias e dividir tristezas.