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sábado, 18 de julho de 2015

Nossos Poetas noutra versão



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quinta-feira, 16 de julho de 2015

Nossos Poetas noutra versão


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terça-feira, 14 de julho de 2015

Nossos Poetas noutra versão


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domingo, 12 de julho de 2015

Nossos Poetas noutra versão

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terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Parar para Pensar




Parar para pensar....



Mal nascemos, sem dar conta percebemos
Que o nosso tempo começou e, por agora, não vai parar
E devagar gatinhamos, depois passo a passo caminhamos
Caindo, sorrindo, chorando mas, sem parar para pensar

E à medida que o tempo passa, damos conta que crescemos
E à nossa volta, a novidades nos fazem habituar
Brincamos, sorrimos, dormimos e até corremos
Na ânsia de aprender mas, sem parar para pensar


Já na escola, de outra forma aprendemos
E mais informação põe o cérebro a funcionar
Com coisas novas que em grupo desenvolvemos
Onde nem sequer há tempo de, parar para pensar


Anos depois surgem venos de mudanças
E o corpo torna-se diferente e ímpar
E vamos fazendo as nossas próprias experiências
Muitas vezes, sem parar para pensar


E anos mais tarde quando nos tornamos grandes
Surge a nostalgia e a vontade de voltar
E é nesses tempos mais ou menos distantes
Que nos lembramos de, parar para pensar


E agora, numa competição e sempre a correr
Desde o nosso brusco acordar até ao deitar
Vemos em pleno a nossa vida a amadurecer
E por isso não temos tempo de, parar para pensar


E corremos de manhã para o ganha-pão
Continuamos a corrida ao almoço e ao jantar
E a correr vamos por um sonho ou por alguém
Onde poucas vezes, paramos para pensar


Depois, vivemos a vida para os outros
Porque acreditamos e confiamos na palavra Amar
Mas, até esses que no fundo são bem poucos
Ás vezes também não nos deixam, parar para pensar


Lutamos depois por pensamentos e ideais
Aqueles sobre os quais ainda ousamos sonhar
Voltamos a cair, levantamo-nos, e cada vez mais
Nos vai faltando o tempo de, parar para pensar


Em horas de revolta contra o que não está certo
Ganhamos forças e coragem para denunciar
Mas, os medos da ruptura pairam bem perto
E silenciam o nosso, parar para pensar


E quando os que nos amam, nos vão deixando
Um a seguir ao outro e ás vezes até sem contar
Nesses tempos de dor choramos, meditando
Que muitas vezes por eles, não paramos para pensar


Os anos vão-se passando e os tempos mudando
O corpo torna-se frágil, com pouca força para andar
E empurram-nos para um qualquer canto hediondo
Onde não ouvem o nosso delicado, parar para pensar

Mas, um dia acaba a corda do nosso relógio
Chega também o nosso tempo de findar
É nessas horas que, dizem os entendidos
Enfim, finalmente estamos parados para pensar !

Paulo A. Santos - 2004 


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sábado, 28 de dezembro de 2013

Poetas da Nossa Terra





ENTRE O LUAR E A FOLHAGEM

Entre o luar e a folhagem, 
Entre o sossego e o arvoredo,
Entre o ser noite e haver aragem
Passa um segredo.
Segue-o minha alma na passagem.

Ténue lembrança ou saudade,
Princípio ou fim do que não foi, 
Não tem lugar, não tem verdade,
Atrai e dói.
Segue-o meu ser em liberdade.

Vazio encanto ébrio de si,
Tristeza ou alegria o traz?
O que sou dele a quem sorri?
Nada é nem faz.
Só de segui-lo me perdi.

Cancioneiro

In “Fernando Pessoa – Antologia Poética

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Poetas da Nossa Terra




 SE PARTIRES




Se partires, não me abraces – a falésia que se encosta
uma vez ao ombro do mar quer ser barco para sempre
e sonha com viagens na pele salgada das ondas.

Quando me abraças, pulsa nas minhas veias a convulsão
das marés e uma canção desprende-se da espiral dos búzios;
mas o meu sorriso tem o tamanho do medo de te perder,
porque o ar que respiras junto de mim é como um vento
a corrigir a rota do navio. Se partires, não me abraces –

o teu perfume preso à minha roupa é um lento veneno
nos dias sem ninguém – longe de ti, o corpo não faz
senão enumerar as próprias feridas (como a falésia conta
as embarcações perdidas nos gritos do mar); e o rosto
espia os espelhos à espera de que a dor desapareça.
Se me abraçares, não partas.


Maria do Rosário Pedreira

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Poetas da Nossa Terra





QUANDO SE VÊ DO MAL O QUE SE NÃO VIA DANTES

Se como haveis tardado, desenganos,
Vindes hoje de novo apercebidos,
A troco de vos ver tão prevenidos,
Dou-vos por bem tardados tantos anos.

Tardastes; e entretanto estes tiranos
Casos de Amor roubaram-me os sentidos.
Se alcançá-los quereis, bem que são idos,
Buscai-os pelo rastro dos meus danos.

Oh, segui-os, prendei-os, porque logo
Teme que foge, quem procura, alcança,
Pois é peso o temor, o gosto é vento.

E para quando os alcanceis vos rogo,
Não que façais me tornem a esperança,
Mas que sequer me deixem o escarmento.



Obras Métricas

In “Breve Antologia Poética do Período Barroco”

domingo, 15 de dezembro de 2013

Poetas da Nossa Terra



UNS


Uns, com os olhos postos no passado,
Vêem o que não vêem: outros, fitos
Os mesmos olhos no futuro, vêem
O que não pode ver-se.

Por que tão longe ir pôr o que está perto —
A segurança nossa? Este é o dia, 
Esta é a hora, este o momento, isto 
É quem somos, e é tudo.

Perene flui a interminável hora
Que nos confessa nulos. No mesmo hausto
Em que vivemos, morreremos. Colhe 
O dia, porque és ele.


Odes de Ricardo Reis

In “Fernando Pessoa – Antologia Poética”

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Poetas da Nossa Terra






Ofereço-te palavras

Se terminar este poema, partirás. Depois da

mordedura vã do meu silêncio e das pedras
que te atirei ao coração, a poesia é a última
coincidência que nos une. Enquanto escrevo
este poema, a mesma neblina que impede a
memória límpida dos sonhos e confunde os
navios ao retalharem um mar desconhecido



está dentro dos meus olhos – porque é difícil

olhar para ti neste preciso instante sabendo que

não estarias aqui se eu não escrevesse. E eu, que



continuo a amar-te em surdina com essa inércia

sóbria das montanhas, ofereço-te palavras, e não

beijos, porque o poema é o único refúgio onde

podemos repetir o lume dos antigos encontros.



Mas agora pedes-me que pare, que fique por aqui,

que apenas escreva até ao fim mais esta página

(que, como as outras, será somente tua – esse



beijo que já não desejas dos meus lábios). E eu, que

aprendi tudo sobre as despedidas porque a saudade

nos faz adultos para sempre, sei que te perderei



em qualquer caso: se terminar o poema, partirás;

e, no entanto, se o interromper, desvanecer-se-á

a última coincidência que nos une.





Maria do Rosário Pedreira