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segunda-feira, 25 de maio de 2009

ARY DOS SANTOS

(Ary morreu há 25 anos)
O Homem Das Castanhas
(Ary Dos Santos)

Na Praça da Figueira,
ou no Jardim da Estrela,
num fogareiro aceso é que ele arde.
Ao canto do Outono,à esquina do Inverno,
o homem das castanhas é eterno.
Não tem eira nem beira, nem guarida,
e apregoa como um desafio.

É um cartucho pardo a sua vida,
e, se não mata a fome, mata o frio.
Um carro que se empurra,
um chapéu esburacado,
no peito uma castanha que não arde.
Tem a chuva nos olhos e tem o ar cansado
o homem que apregoa ao fim da tarde.
Ao pé dum candeeiro acaba o dia,
voz rouca com o travo da pobreza.
Apregoa pedaços de alegria,
e à noite vai dormir com a tristeza.

Quem quer quentes e boas, quentinhas?
A estalarem cinzentas, na brasa.
Quem quer quentes e boas, quentinhas?
Quem compra leva mais calor p'ra casa.

A mágoa que transporta a miséria ambulante,
passeia na cidade o dia inteiro.
É como se empurrasse o Outono diante;
é como se empurrasse o nevoeiro.
Quem sabe a desventura do seu fado?
Quem olha para o homem das castanhas?
Nunca ninguém pensou que ali ao lado
ardem no fogareiro dores tamanhas.

Quem quer quentes e boas, quentinhas?
A estalarem cinzentas, na brasa.
Quem quer quentes e boas, quentinhas?
Quem compra leva mais amor p'ra casa.

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sábado, 23 de maio de 2009

ARY dos SANTOS



M O R R E U H Á 25 A N O S




Auto-RetratoPoeta é certo mas de cetineta


fulgurante de mais para alguns olhos


bom artesão na arte da proveta


narciso de lombardas e repolhos.



Cozido à portuguesa mais as carnes


suculentas da auto-importância


com toicinho e talento ambas partes


do meu caldo entornado na infância.



Nos olhos uma folha de hortelã


que é verde como a esperança que amanhã


amanheça de vez a desventura.



Poeta de combate disparate


palavrão de machão no escaparate


porém morrendo aos poucos de ternura.



José Carlos Ary dos Santos


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quarta-feira, 20 de maio de 2009

Joaquim Pessoa - Barr.1948


Quero-te para além das coisas justas



Quero-te para além das coisas justas
e dos dias cheios de grandeza.
A dor não tem significado quando ma roubam
as árvores,as ágatas, as águas.
O meu sol vem de dentro do teu corpo,
a tua voz respira a minha voz.
De quem são os ídolos, as culpas, as vírgulas
dos beijos? Discuto esta noite
apenas o pudor de preferir-te
entre as coisas vivas.


Joaquim Pessoa (n. no Barreiro a 22 Fev 1948; - )

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domingo, 17 de maio de 2009

Provérbios


*Em Abril QUEIJOS MIL e em Maio três ou quatro.
*Em Abril queima a velha o carro e o carril
e uma camba que deixou, em Maio a queimou.
*A erva Maio a dá, Maio a leva.
*Decrua de Maio e estravessa de S. João
parecem bem, mas não dão pão.
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quinta-feira, 14 de maio de 2009

Joaquim Pessoa - 9


Mitos e Realidades

9
Tens a coisa pequena mas que importa
se a questão nunca é do tamanho.
Ela pode ser grande e já estar morta
ou pequena e campeã do arreganho.

Ao centímetro não há felicidade
que possa ser medida, pois então!
Para poder impôr-se, a coisa há-de,
muito mais que tamanho, ter tesão.

É tudo o que deves ter em conta.
O resto é conversa rasa e tonta
se não promoçãozinha pessoal.

Só tens de cumprir o compromisso.
E não te esqueças nunca para isso,
tomar o compromisso também vale.


poema nono dos Sonetos eróticos & irónicos & sarcásticos & satíricos & de amor & desamor & de bem & e de maldizer do poeta Joaquim Pessoa

Litexa Editora, 2008


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terça-feira, 12 de maio de 2009

Provérbios


*A quem não tem pão semeado,de Agosto se faz Maio.
*Água de Maio, pão para todo o ano.
*De Maio a Abril há muito que pedir.
*A ti chova todo o ano e a mim Abril e Maio.
*Dia de Maio, dia de má ventura que ainda bem
não amanhece, já anoitece.
*Em Abril águas mil coadas por um mandril
e em Maio três ou quatro.
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sábado, 9 de maio de 2009

Provérbios



# A BOA CEPA, Maio a deita.


# A carranca é a mãe do cuco, vem ao princípio de Abril e diz ao Maio que seu filho está para vir.


# Abril e Maio, chaves do ano.


# A quem em Maio come sardinha, em Agosto lhe pica a espinha.


# Do mês de Maio o calor, de todo o ano o valor.


# Diz Maio a Abril: ainda que te pese me hei-de rir.


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quinta-feira, 7 de maio de 2009

Telas

Hoje coloco um post com um slid completo, de alguns acrílicos


segunda-feira, 4 de maio de 2009

Joaquim Pessoa - 21


21


Sabia que voltavas. Estava à espera

que tudo se acalmasse. E acalmou.

Foi como o inverno frio que passou

e deu lugar por fim à primavera.


Chegaste ainda um pouco convencida

que a razão toda estava do teu lado

e eu que raramente estou zangado

procurei solução descontraída:


sentei-te no meu colo, acariciei

teus seios, tuas coxas, teu umbigo,

mordi a tua língua e já nem sei


quantas mais coisas fiz então contigo.

Porém, uma das coisas que te dei,

queres sempre a dobrar e eu não consigo.

poema vigésimo primeiro dos Sonetos eróticos & irónicos & sarcásticos & satíricos & de amor & desamor & de bem & e de maldizer do poeta Joaquim Pessoa

domingo, 3 de maio de 2009

Dia da Mãe

Todas as Mães


Mamãe, me acontece de me sentir tão pequena! Quero colo, quero abraço, beijo-remédio...

Ser grande às vezes me custa. Era bem mais fácil não ter problemas. Eu podia brincar na chuva, ser moleca, travessa, despreocupada. Se por acaso eu caísse, você estava sempre presente.

A gente cresce e tem que aprender a se virar. Falta tempo pra tudo, pro jogo, pro abraço, pra não se preocupar.

Hoje sou mãe também, mamãe! E só mesmo sendo mãe, aprendi o significado dessa palavra e todas as responsabilidades que ela acarreta.

Se eu pudesse voltar atrás, te abraçaria mais, te beijaria mais, ficaria um pouco mais no seu colo sem pensar na vida, sem me preocupar ao menos no que vai ter para jantar.

Mas é a minha vez!... e sou eu quem tento agora curar mágoas pequeninas das minhas crianças com beijos intermináveis, sou eu quem digo "não se preocupe, mamãe vai cuidar."

Nem sempre sei que direção tomar, ou escolher as palavras exatas para consolar. Mas eu confio no meu coração, como você sempre confiou no seu.

Obrigada, mamãe, pela vida! Nem sempre eu disse e acho que nunca direi o suficiente para agradecer por todas as vezes que você esteve presente.

Digo agora e quero dizer sempre: eu amo você!





Letícia Thompson

contact@leticiathompson.net