NOITE ALENTEJANA
Devagarinho, o luar envolve a Terra
Como braços de amante o corpo amado.
E em êxtase profundo e perturbado,
Languidamente, a Noite, os olhos cerra.
Pelo horizonte, nu, sem uma serra,
Ondeia um véu de sombra opalizado.
E há um fremir d'amor imaculado
Na sedução que a Natureza encerra.
A luz tomba do céu, esplendorosa.
No silêncio da noite langorosa.
Sentem-se aromas leves, a pairar...
Sobem do chão eflúvios perturbantes...
E as hastes das espigas, ondulantes,
Enlaçam-se, trementes, a noivar...
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