ESTREMADURA


Estre
ma
dura
Cesário Verde
Meu Amigo (...) Talvez tu não conheças a Estremadura. Todo este bocado de terra,
quase uma península, que fica entre o Atlântico e o Tejo, é magnifico em
irregularidades montanhosas, em diversidade de culturas. Montes tão agrestes
mais cultivados não há! Como me deu saúde, cor, peito, ombros largos, andar um
dia inteiro na carreta dum almocreve que dorme, enquanto as mulas puxam
pessimamente para fora, graciosas e rijas, de ferro, com as grandes orelhas, e as
enormes coelheiras brancas, cheias de serradura, no pescoço! Como me deu
alegria serena e fecunda, e uma larga compreensão deste povo forte, pacífico e
incansável, vir na falua, à bolina, carregada de cevada para a Companhia de
Carruagens Lisbonenses, enquanto o arrais segurava a escota e a tripulação comia
a caldeirada, em roda, com colheres de pau! Além disso, pelo país dentro, este
ano a fruta abundava formidavelmente, esperdiçava-se até. As macieiras,
carregadas, pousavam a extremidade dos ramos no chão, e, na copa, o dorso
redondo, lembravam enormes lagostas verdes de inumeráveis pernas em meio
dos vinhedos que se sucedem contínuos. As searas de trigo, o que eu vira até
então, umas mais escuras, outras mais claras,por causa das sementeiras que se
fazem umas mais cedo que outras, no tom divergem muito das vinhas. Nestas,
léguas e léguas, o verde é igual, monótono,fatigante, porque a parra rebenta toda
ao mesmo tempo. Tudo vasto, grandioso, brutal! (...).)
quase uma península, que fica entre o Atlântico e o Tejo, é magnifico em
irregularidades montanhosas, em diversidade de culturas. Montes tão agrestes
mais cultivados não há! Como me deu saúde, cor, peito, ombros largos, andar um
dia inteiro na carreta dum almocreve que dorme, enquanto as mulas puxam
pessimamente para fora, graciosas e rijas, de ferro, com as grandes orelhas, e as
enormes coelheiras brancas, cheias de serradura, no pescoço! Como me deu
alegria serena e fecunda, e uma larga compreensão deste povo forte, pacífico e
incansável, vir na falua, à bolina, carregada de cevada para a Companhia de
Carruagens Lisbonenses, enquanto o arrais segurava a escota e a tripulação comia
a caldeirada, em roda, com colheres de pau! Além disso, pelo país dentro, este
ano a fruta abundava formidavelmente, esperdiçava-se até. As macieiras,
carregadas, pousavam a extremidade dos ramos no chão, e, na copa, o dorso
redondo, lembravam enormes lagostas verdes de inumeráveis pernas em meio
dos vinhedos que se sucedem contínuos. As searas de trigo, o que eu vira até
então, umas mais escuras, outras mais claras,por causa das sementeiras que se
fazem umas mais cedo que outras, no tom divergem muito das vinhas. Nestas,
léguas e léguas, o verde é igual, monótono,fatigante, porque a parra rebenta toda
ao mesmo tempo. Tudo vasto, grandioso, brutal! (...).)
1 comentário:
Um pouco de Surrealismo não faz mal a ninguém... antes pelo contrário! Adorei essa Imagem das maçãs a lembrar lagostas, Andradarte!Que cheirinho! Como o arroz de línguas de bacalhau da amiga Luísa...
Abraço de
Lusibero
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