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sábado, 25 de maio de 2013

Poetas da Nossa Terra




Canção duma sombra

Ah, se não fosse a névoa da manhã 
E a velhinha janela, onde me vou 
Debruçar, para ouvir a voz das cousas,
          Eu não era o que sou.

Se não fosse esta fonte, que chorava, 
E como nós cantava e que secou... 
E este sol, que eu comungo, de joelhos,
          Eu não era o que sou.

Ah, se não fosse este luar, que chama 
Os espectros à vida, e se infiltrou, 
Como fluido mágico, em meu ser, 
          Eu não era o que sou.

E se a estrela da tarde não brilhasse; 
E se não fosse o vento, que embalou 
Meu coração e as nuvens, nos seus braços, 
          Eu não era o que sou.

Ah, se não fosse a noite misteriosa 
Que meus olhos de sombras povoou, 
E de vozes sombrias meus ouvidos, 
          Eu não era o que sou.

Sem esta terra funda e fundo rio, 
Que ergue as asas e sobe, em claro voo; 
Sem estes ermos montes e arvoredos, 
          Eu não era o que sou.

Teixeira de Pascoaes

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4 comentários:

isa disse...

Um belo e sentido Poema de Pascoaes.
Bom fim de semana.
Beijo.
isa.

luna luna disse...

adorei o poema bela escolha
beijos

Albertina Granja disse...

"EU NÃO ERA O QUE SOU"
Um bonito poema de T. de Pascoaes..
Tenha um bom domingo Andrade

Célia sousa disse...


Diferente mas belo!
o outono da vida...
Ah! eu não era o que sou!
a névoa da manhã se escondendo
na sombra!!!

Um bom fim de semana Andrade;

Célia