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terça-feira, 8 de junho de 2010

Poetas da Nossa Terra



A Arte de Ser Amada


Eu sou líquida mas recolhida
no íntimo estanho de uma jarra
e em tua boca um clavicórdio
quer recordar-me que sou ária

aérea vária porém sentada
perfil que os flamingos voaram.
Pelos canteiros eu conto os gerânios
de uns tantos anos que nos separam.

Teu amor de planta submarina
procura um húmido lugar.
Sabiamente preencho a piscina
que te dê o hábito de afogar.

Do que não viste a minha idade
te inquieta como a ciência
do mundo ser muito velho
três vezes por mim rodeado
sem saber da tua existência.

Pensas-me a ilha e me sitias
de violinos por todos os lados
e em tua pele o que eu respiro
é um ar de frutos sossegados.

Natália Correia, in "O Vinho e a Lira"

4 comentários:

Sonhadora disse...

Meu amigo
Lindo este poema de Natália Correia...uma grande poetiza.

Beijinhos
Sonhadora

rosa-branca disse...

Linda homenagem a uma grande poetisa. Não conhecia o poema mas adorei. Beijo meu

poetaeusou . . . disse...

*
O poema não é o canto
que do grilo para a rosa cresce.
O poema é o grilo
é a rosa
e é aquilo que cresce.
É o pensamento que exclui
uma determinação
na fonte donde ele flui
e naquilo que descreve.
O poema é o que no homem
para lá do homem se atreve.
,
in-natália correia,
,
um abraço,
,
*
*

Isa disse...

Que se passou comigo?
Deixei passar tanta coisa bela no teu blog,Amigo.
Desculpa.
Os Poetas,esses,entendem-me...
Beijo.
isa.