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sábado, 24 de abril de 2010

Para não esquecer

A Celebre Canção


25 de Abril.....Sempre

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sexta-feira, 23 de abril de 2010

Poetas da Nossa Terra


Quadras ao Gosto Popular


Cantigas de portugueses
São como barcos no mar —
Vão de uma alma para outra
Com riscos de naufragar.

Eu tenho um colar de pérolas
Enfiado para te dar:
As per'las são os meus beijos,
O fio é o meu penar.

A terra é sem vida, e nada
Vive mais que o coração...
E envolve-te a terra fria
E a minha saudade não!

Deixa que um momento pense
Que ainda vives ao meu lado...
Triste de quem por si mesmo
Precisa ser enganado!

Morto, hei de estar ao teu lado
Sem o sentir nem saber...
Mesmo assim, isso me basta
P'ra ver um bem em morrer.

Fernando Pessoa
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quarta-feira, 21 de abril de 2010

Poetas da Nossa Terra


VAIDADE


Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!

Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a terra anda curvada!

E quando mais no céu eu vou sonhando,

E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho...! e não sou nada

Florbela Espanca

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segunda-feira, 19 de abril de 2010

Poetas da Nossa Terra


Um Dia é Pouco ao Pé de Margarida


A nossa intimidade a três ou quatro é constrangida.
Tenho medo no ângor e uma urtiga no pé.
Um dia é pouco ao pé de Margarida:
A ausência é menos sozinha,
A muita companhia dá bandos longe. Até
A vida
É
Se tua, já menos minha:
Se própria de meu, repartida,
Por muitos na atenção, nem tua é.
Só nossa solidão dual e penetrada
Evita o perigo do nada
A que, por condição, setas, as nossas pernas
Apontam na cavidade inexorável,
Fim de molécula qualquer.
Mas, entretanto, Margarida amável
Será flor, ou mulher?


Vitorino Nemésio,
in "Caderno de Caligraphia e
outros Poemas a Marga"

sábado, 17 de abril de 2010

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Poetas da Nossa Terra

Joaquim Pessoa



DE BRUÇOS ME DEBRUÇO MAIS AINDA


De bruços me debruço mais ainda

até sentir os olhos tumefactos

para saber até que ponto é linda

a intrigante cor desses sapatos


que às tuas pernas dão um brilho tal

e uma leveza tal ao teu andar,

que eu penso (embora aches anormal)

que nunca te devias descalçar.


Também porquê, se já não há verdura

nem tu és Leonor para correr

descalça, no poema, à aventura?


O mais difícil, hoje, é antever

quem é que vai à fonte em literatura

e que água dá aos versos a beber.


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terça-feira, 13 de abril de 2010

Poetas da Nossa Terra


Fim do Coito


Resposta a um Deputado do CDS na Assembleia da República


Já que o coito - diz Morgado -

tem como fim cristalino,

preciso e imaculado

fazer menina ou menino;

de cada vez que o varão

sexual petisco manduca,

temos na procriação

prova de que houve truca-truca.

Sendo pai só de um rebento,

lógica é a conclusão

de que o viril instrumento

só usou - parca ração! -

uma vez. E se a função

faz o órgão - diz o ditado -

consumada essa excepção,

ficou capado o Morgado.

Natália Correia

domingo, 11 de abril de 2010

Poetas da nossa Terra



Quem dorme a noite comigo

De um Fado de Amália


Quem dorme à noite comigo?
É meu segredo, é meu segredo!
Mas se insistirem, desdigo.
O medo mora comigo,
Mas só o medo, mas só o medo!

E cedo, porque me embala
Num vaivém de solidão,
É com silêncio que fala,
Com voz de móvel que estala
E nos perturba a razão.

Que farei quando, deitado,
Fitando o espaço vazio,
Grita no espaço fitado
Que está dormindo a meu lado,
Lázaro e frio?

Gritar? Quem pode salvar-me
Do que está dentro de mim?
Gostava até de matar-me.
Mas eu sei que ele há-de esperar-me
Ao pé da ponte do fim.


ALAIN OULMAN

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Poetas da Nossa Terra


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quarta-feira, 7 de abril de 2010

Pensem........

Seleccionado por VIVI

O Imperador convocou todos os artistas

plásticos do seu reino - os melhores.

Enviou também um convite aos gregos

que o aceitaram prontamente.

Chineses e Gregos, todos artistas famosos

e renomados, foram presos num quarto

dividido ao meio por uma cortina.

Dias depois, a porta foi aberta.

O Imperador e sua comitiva adentraram

o ambiente e, num gesto todo cheio de

pompa, o mesmo afastou o tecido vagarosamente.

Um murmúrio de deslumbramento foi

tomando conta do recinto.

Na parede onde os artistas chineses trabalharam

haviam pássaros do paraíso, flores raras,

um céu com seus astros dispostos com

perfeição, enfim, uma pintura inigualável,

sem um mínimo defeito sequer.

E o que havia do lado oposto que pertencia

aos gregos?

Apenas uma parede totalmente polida.

Sim, os gregos transformaram a parede

num magnífico espelho que refletia

toda a soberba beleza da

Arte Chinesa.

O Imperador não teve um momento

de hesitação, concedeu a vitória

aos Gregos e com a seguinte

honraria:

"Aquele que sabe refletir a beleza do mundo

e tudo o que nele há, esse, sim, será digno

de ser ouvido e reverenciado."

Gustav Klimt

pense

(Espero ser perdoado)

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