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quarta-feira, 16 de maio de 2012
domingo, 13 de maio de 2012
Poetas da Nossa Terra
O Céu é aquela clareira
o céu é aquela clareira onde deito os olhos com ténues cambiantes de cor que quase gasto nas mãos, e como. como o céu e aguardo uma digestão convulsa. enquanto o aguaceiro seca na terra antes que o possa beber e deus se vinga de mim ditando os versos que escondem a água ao mundo. já as fogueiras florindo em volta, murchando o dia que me persegue. uma intervenção divina para me resistir valter hugo mãe estou escondido na cor amarga do fim da tarde
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Poetas da Nossa Terra
Contra ti se ergue a prudência dos inteligentes e o arrojo dos patetas
A indecisão dos complicados e o primarismo
Daqueles que confundem revolução com desforra.
De poster em poster a tua imagem paira na sociedade de consumo
Como o Cristo em sangue paira no alheamento ordenado das igrejas
Porém
Em frente do teu rosto
Medita o adolescente à noite no seu quarto
Quando procura emergir de um mundo que apodrece.
sábado, 5 de maio de 2012
Poetas da Nossa Terra
| A magnólia |
A exaltação do mínimo, e o magnífico relâmpago do acontecimento mestre restituem-me a forma o meu resplendor. . Um diminuto berço me recolhe onde a palavra se elide na matéria - na metáfora - necessária,e leve, a cada um onde se ecoa e resvala. A magnólia, o som que se desenvolve nela quando pronunciada, é um exaltado aroma perdido na tempestade, um mínimo ente magnífico desfolhando relâmpagos sobre mim Luiza Neto Jorge O seu a seu tempo |
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Poetas da Nossa Terra
DORME MEU AMOR
Dorme, meu amor, que o mundo já viu morrer mais
este dia e eu estou aqui, de guarda aos pesadelos.
Fecha os olhos agora e sossega o pior já passou
há muito tempo; e o vento amaciou; e a minha mão
desvia os passos do medo. Dorme, meu amor -
a morte está deitada sob o lençol da terra onde nasceste
e pode levantar-se como um pássaro assim que
adormeceres. Mas nada temas: as suas asas de sombra
não hão-de derrubar-me eu já morri muitas vezes
e é ainda da vida que tenho mais medo. Fecha os olhos
agora e sossega a porta está trancada; e os fantasmas
da casa que o jardim devorou andam perdidos
nas brumas que lancei ao caminho. Por isso, dorme,
meu amor, larga a tristeza à porta do meu corpo e
nada temas: eu já ouvi o silêncio, já vi a escuridão, já
olhei a morte debruçada nos espelhos e estou aqui,
de guarda aos pesadelos a noite é um poema
que conheço de cor e vou cantar-to até adormeceres.
M.R.Pedreira
terça-feira, 24 de abril de 2012
terça-feira, 17 de abril de 2012
Poetas da Nossa Terra
| estou escondido na cor amarga do fim da tarde | |
sou castanho e verde no
campo onde um pássaro
caiu. sinto a terra e orgulho
por ter enlouquecido. produzo o corpo
por dentro e sou igual ao que
vejo. suspiro e levanto vento nas
folhas e frio e eco. peço às nuvens
para crescer. passe o sol por cima
dos meus olhos no momento em que o
outono segue à roda do meu tronco e, assim
que me sinta queimado, leve-me o
sol as cores e reste apenas o odor
intenso e o suave jeito dos ninhos ao
relento
valter hugo mãe |
Poetas da Nossa Terra
Sentei-me com um copo em restos dechampanhe a olhar o nada.Entre crianças e adultos sériostive trinta em casa.Será comovedor os quatro anose a festa colorida,as velas mal sopradas entre um rissolno chão e os parabéns:quatro anos de vida.Serão comovedores os sumos delaranja concentrados (proporçõespor defeito) e os gostos tãodiversos, o bolo de ananás,os pés inchados.Será soberbamente comoventetoda a gente cantando,o mau comportamento dos adultosconversas-gelatinas e os anossó pretexto.
ANA LUÍSA AMARAL , Minha Senhora de Quê,
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Poetas da Nossa Terra
Aqui cantaste nua.
Aqui bebeste a planicie, a lua,
e ao vento deste os olhos a beber.
Aqui abandonaste as mãos
a tudo o que não chega a acontecer.
Aqui vieram bailar as estações
e com elas tu bailaste.
Aqui mordeste os seios por abrir,
fechaste o corpo à sede das searas
e no lume de ti própria te queimaste.
Aqui bebeste a planicie, a lua,
e ao vento deste os olhos a beber.
Aqui abandonaste as mãos
a tudo o que não chega a acontecer.
Aqui vieram bailar as estações
e com elas tu bailaste.
Aqui mordeste os seios por abrir,
fechaste o corpo à sede das searas
e no lume de ti própria te queimaste.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Poetas da Nossa Terra
MINIBIOGRAFIA
Não me quero com o tempo nem com a moda Olho como um deus para tudo de alto Mas zás! do motor corpo o mau ressalto Me faz a todo o passo errar a coda. Porque envelheço, adoeço, esqueço Quanto a vida é gesto e amor é foda; Diferente me concebo e só do avesso O formato mulher se me acomoda E se nave vier do fundo espaço Cedo raptar-me, assassinar-me, cedo: Logo me leve, subirei sem medo À cena do mais árduo e do mais escasso. Um poema deixo, ao retardador: Meia palavra a bom entendedor. Luiza Neto Jorge poèmes Par le Feu
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