Seguidores
terça-feira, 24 de abril de 2012
terça-feira, 17 de abril de 2012
Poetas da Nossa Terra
| estou escondido na cor amarga do fim da tarde | |
sou castanho e verde no
campo onde um pássaro
caiu. sinto a terra e orgulho
por ter enlouquecido. produzo o corpo
por dentro e sou igual ao que
vejo. suspiro e levanto vento nas
folhas e frio e eco. peço às nuvens
para crescer. passe o sol por cima
dos meus olhos no momento em que o
outono segue à roda do meu tronco e, assim
que me sinta queimado, leve-me o
sol as cores e reste apenas o odor
intenso e o suave jeito dos ninhos ao
relento
valter hugo mãe |
Poetas da Nossa Terra
Sentei-me com um copo em restos dechampanhe a olhar o nada.Entre crianças e adultos sériostive trinta em casa.Será comovedor os quatro anose a festa colorida,as velas mal sopradas entre um rissolno chão e os parabéns:quatro anos de vida.Serão comovedores os sumos delaranja concentrados (proporçõespor defeito) e os gostos tãodiversos, o bolo de ananás,os pés inchados.Será soberbamente comoventetoda a gente cantando,o mau comportamento dos adultosconversas-gelatinas e os anossó pretexto.
ANA LUÍSA AMARAL , Minha Senhora de Quê,
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Poetas da Nossa Terra
Aqui cantaste nua.
Aqui bebeste a planicie, a lua,
e ao vento deste os olhos a beber.
Aqui abandonaste as mãos
a tudo o que não chega a acontecer.
Aqui vieram bailar as estações
e com elas tu bailaste.
Aqui mordeste os seios por abrir,
fechaste o corpo à sede das searas
e no lume de ti própria te queimaste.
Aqui bebeste a planicie, a lua,
e ao vento deste os olhos a beber.
Aqui abandonaste as mãos
a tudo o que não chega a acontecer.
Aqui vieram bailar as estações
e com elas tu bailaste.
Aqui mordeste os seios por abrir,
fechaste o corpo à sede das searas
e no lume de ti própria te queimaste.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Poetas da Nossa Terra
MINIBIOGRAFIA
Não me quero com o tempo nem com a moda Olho como um deus para tudo de alto Mas zás! do motor corpo o mau ressalto Me faz a todo o passo errar a coda. Porque envelheço, adoeço, esqueço Quanto a vida é gesto e amor é foda; Diferente me concebo e só do avesso O formato mulher se me acomoda E se nave vier do fundo espaço Cedo raptar-me, assassinar-me, cedo: Logo me leve, subirei sem medo À cena do mais árduo e do mais escasso. Um poema deixo, ao retardador: Meia palavra a bom entendedor. Luiza Neto Jorge poèmes Par le Feu
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Poetas da Nossa Terra
Uma Boa e Santa Páscoa para todos
Deve ser o último tempo
Deve ser o último tempo A chuva definitiva sobre o último animal nos pastos O cadáver onde a aranha decide o círculo. Deve ser o último degrau na escada de Jacob E último sonho nele Deve ser-lhe a última dor no quadril. Deve ser o mendigo à minha porta E a casa posta à venda. Devo ser o chão que me recebe E a árvore que me planta. Em silêncio e devagar no escuro Deve ser a véspera.Devo ser o sal Voltado para trás. Ou a pergunta na hora de partir. Daniel Faria de Explicação das Árvores e de Outros Animais 1998 |
domingo, 1 de abril de 2012
Poetas da Nossa Terra
Como na o amor desaparece
Como na o amor desaparece
carne mansa do mar na doce arena
a boca que retinha
da coragem alegre o tempo firme
carne mansa do mar na doce arena
a boca que retinha
da coragem alegre o tempo firme
e mais na seca areia que
o amor fundamente perdida
e mais no mar amargo que
os ardores separados e vivos do amor
o amor fundamente perdida
e mais no mar amargo que
os ardores separados e vivos do amor
decomposta mais nesta praia viva me comove
a doçura do sol as secas águas
que a própria do amor escassa boca
a doçura do sol as secas águas
que a própria do amor escassa boca
da morte requerida porque mais
que a boca do amor morre no mar
a vida reprimida
in «Poemas Reunidos», Escassez,
quarta-feira, 28 de março de 2012
sábado, 24 de março de 2012
terça-feira, 20 de março de 2012
Subscrever:
Mensagens (Atom)









