Seguidores

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Poetas da Nossa Terra




Poema de Natal de Fernando Pessoa


Natal... Na província neva.
Nos lares aconchegados,
Um sentimento conserva
Os sentimentos passados.

Coração oposto ao mundo,
Como a família é verdade !
Meu pensamento é profundo,
Estou só e sonho saudade.

E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei !

**********************************

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

BOM NATAL A TODOS




***********************************

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Do Coração...Bom Natal....


LEVE  PARA  O  SEU  BLOG

São os meus Votos de Um Santo Natal
















quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

É Natal é Natal....



**************************************

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Poetas da Nossa Terra



REFLEXO

Olho-te pelo reflexo
Do vidro
E o coração da noite

E o meu desejo de ti
São lágrimas por dentro,
Tão doídas e fundas
Que se não fosse:

  o tempo de viver;
  e a gente em social desencontrado;
  e se tivesse a força;
e a janela ao meu lado
  fosse alta e oportuna,

invadia de amor o teu reflexo
e em estilhaços de vidro
mergulhava em ti.


Ana Luísa Amaral
In Anos 90 e Agora

domingo, 27 de novembro de 2011

Poetas da Nossa Terra



 
No teu peito 
é que o pólen do fogo 
se junta à nascente, 
alastra na sombra. 
Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre. 
Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio. 
Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha

Eugenio de Andrade 

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Poetas da Nossa Terra




GAIVOTA





Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.





Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.



Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.

Alexandre O'Neill


Uma Bela Canção de Amália Rodrigues

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Poetas da Nossa Terra




Retrato do Herói


Herói é quem num muro branco inscreve
O fogo da palavra que o liberta:
Sangue do homem novo que diz povo
e morre devagar  de morte certa.

Homem é quem anónimo por leve

lhe ser o nome próprio traz aberta
a alma à fome  fechado o corpo ao breve
instante em que a denúncia fica alerta.

Herói é quem morrendo perfilado

Não é santo  nem mártir  nem soldado
Mas apenas  por último  indefeso.

Homem é quem tombamdo apavorado

dá o sangue ao futuro  e fica ileso
pois lutando apagado  morre aceso. 

Ary dos Santos

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Poetas da Nossa Terra


 "finge tão completamente"
         
                                    
 
         
                  Faz-me falta a tristeza 
                  para o verso: 
                  falta feroz de amante, 
                  ausência provocando dor maior. 
                    
                  Tristeza genuína, original, 
                  a rebentar entranhas e navios 
                  sem mar. 
                  Tristeza redundando em mais 
                  tristeza, desaguando em métrica 
                  de cor. 
                     
                  Recorro-me a jornal, mas é 
                  em vão. A livros russos (largos 
                  e sombrios). 
                  Em provocado rio de depressão, 
                  nem zepellin: balão 
                  a ervas rente. 
                    
                  Um arrastão sonhando-se 
                  navio. 
                    
                  Só se for o que diz o que 
                  deveras sente. 
                  A sério: o Zepellin. 
                  Mas coração: 
                  combóio cuja corda 
                  se partiu. 
  Ana Luiza Amaral

Poetas da Nossa Terra



Deixa a mão
caminhar
perder o alento
até onde se não respira.
Deixa a mão
errar
sobre a cintura
apenas conivente
com nácar da língua.
Só um grito desde o chão
pode fulminá-la.
A morte
não é um segredo
não é em nós um jardim de areia.
De noite
no silêncio baço dos espelhos
um homem
pode trazer a morte pela mão.
Vou ensinar-te como se reconhece
repara
é ainda um rapaz
não acaba de crescer
nos ombros
a luz
desatada
a fulva
lucidez dos flancos.
A boca sobre a boca nevava.