***********************************
Seguidores
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Poetas da Nossa Terra
REFLEXO
Olho-te pelo reflexo Do vidro E o coração da noite E o meu desejo de ti São lágrimas por dentro, Tão doídas e fundas Que se não fosse: o tempo de viver; e a gente em social desencontrado; e se tivesse a força; e a janela ao meu lado fosse alta e oportuna, invadia de amor o teu reflexo e em estilhaços de vidro mergulhava em ti. Ana Luísa Amaral In Anos 90 e Agora |
domingo, 27 de novembro de 2011
Poetas da Nossa Terra
No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha
Eugenio de Andrade
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Poetas da Nossa Terra
GAIVOTA
Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.
Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.
Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.
Alexandre O'Neill
Uma Bela Canção de Amália Rodrigues
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Poetas da Nossa Terra
Retrato do Herói
Herói é quem num muro branco inscreve
O fogo da palavra que o liberta:
Sangue do homem novo que diz povo
e morre devagar de morte certa.
Homem é quem anónimo por leve
lhe ser o nome próprio traz aberta
a alma à fome fechado o corpo ao breve
instante em que a denúncia fica alerta.
Herói é quem morrendo perfilado
Não é santo nem mártir nem soldado
Mas apenas por último indefeso.
Homem é quem tombamdo apavorado
dá o sangue ao futuro e fica ileso
pois lutando apagado morre aceso.
O fogo da palavra que o liberta:
Sangue do homem novo que diz povo
e morre devagar de morte certa.
Homem é quem anónimo por leve
lhe ser o nome próprio traz aberta
a alma à fome fechado o corpo ao breve
instante em que a denúncia fica alerta.
Herói é quem morrendo perfilado
Não é santo nem mártir nem soldado
Mas apenas por último indefeso.
Homem é quem tombamdo apavorado
dá o sangue ao futuro e fica ileso
pois lutando apagado morre aceso.
Ary dos Santos
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Poetas da Nossa Terra
"finge tão completamente"
Faz-me falta a tristeza
para o verso:
falta feroz de amante,
ausência provocando dor maior.
Tristeza genuína, original,
a rebentar entranhas e navios
sem mar.
Tristeza redundando em mais
tristeza, desaguando em métrica
de cor.
Recorro-me a jornal, mas é
em vão. A livros russos (largos
e sombrios).
Em provocado rio de depressão,
nem zepellin: balão
a ervas rente.
Um arrastão sonhando-se
navio.
Só se for o que diz o que
deveras sente.
A sério: o Zepellin.
Mas coração:
combóio cuja corda
se partiu.
Ana Luiza Amaral
Poetas da Nossa Terra
Deixa a mão
caminhar
perder o alento
até onde se não respira.Deixa a mão
errar
sobre a cintura
apenas conivente
com nácar da língua.Só um grito desde o chão
pode fulminá-la.A morte
não é um segredo
não é em nós um jardim de areia.De noite
no silêncio baço dos espelhos
um homem
pode trazer a morte pela mão.Vou ensinar-te como se reconhece
repara
é ainda um rapaz
não acaba de crescer
nos ombros
a luz
desatada
a fulva
lucidez dos flancos.A boca sobre a boca nevava.
sábado, 5 de novembro de 2011
Poetas da Nossa Terra
Não Cantes o meu nome em pleno dia
Não cantes o meu nome em pleno dia não movas os seus ásperos motivos sob a luz dolorosa sob o som da alegria Não movas o meu nome sob as tuas mãos molhadas do choro doutros dias não retenhas as sílabas caídas do meu nome da tua boca extinta Não cantes o meu nome a primavera já o ameaça hoje principia a vida do meu nome não o cantcs com a tua alegria Gastão Cruz os nomes Imagem da Linguagem Assírio & Alvim 1974 |
Subscrever:
Mensagens (Atom)







