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quarta-feira, 23 de março de 2011

Poetas da Nossa Terra



Na margem de um rio
 
    
   São assim os amigos, frágeis, como dunas.
   Altas labaredas os consomem
   e dizem nomes, recados de amor.
    
   Nada os habita quando damos as mãos,
   os rostos recortados no frio azul
   para reparar o que nos une e o que nos afasta.
    
   São assim os amigos, vêm
   com uma ferida móvel entre os dedos
   junto de mim. Perdidos eu os encontro,
   aos amigos,ao que por ser frágil perdura
   como uma claridade um nome branco.
   
Francisco José Viegas, in
"Metade da VI da", Ed. Quasi, Lisboa, 2002.
    

domingo, 20 de março de 2011

Poetas da Nossa Terra



Quadras
Sem que o discurso eu pedisse,
Ele falou; e eu escutei.
Gostei do que ele não disse;
Do que disse não gostei.


Tu, que tanto prometeste
Enquanto nada podias,
Hoje que podes – esqueceste
Tudo quanto prometias…


Chegasses onde pudesses;
Mas nunca devias rir
Nem fingir que não conheces
Quem te ajudou a subir!


Os que bons conselhos dão
Às vezes fazem-me rir,
- Por ver que eles próprios são
Incapazes de os seguir.


Mesmo que te julguem mouco
Esses que são teus iguais,
Ouve muito e fala pouco:
Nunca darás troco a mais!


Entra sempre com doçura
A mentira, pr’a agradar;
A verdade entra mais dura,
Porque não quer enganar.


Se te censuram, estás bem,
P’ra que a sorte te perdure;
Mal de ti quando ninguém
Te inveje nem te censure!

Ant.Aleixo

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Poetas da Nossa Terra

        

  Moda
 Cante Alentejano de Serpa
Distante da terra amada
Meu Alentejo de esperança
Nunca esqueço a minha terra
Serpa da minha lembrança
Serpa da minha lembrança
E do amor que ela encerra
Meu Alentejo de esperança
Amante da minha terra


         Cantiga

Sou filho do Alentejo
Vivendo em terra distante
Não esqueço a minha terra
Nem as trovas do seu cante

Serpa do meu bem querer
De noites cheias de cor
De histórias e de lendas
Serpa tu és um amor

aqui repete-se a moda



Muralhas velhas de Serpa
São lindas como postais
Quando um dia regressar
Não te deixo nunca mais

Um dia quando eu voltar
Abre p'ra mim os teus braços
Deixa que em ti finalmente  
Repouse dos meus cansaços 


(Grupo Coral de Castro Verde, C/ Dulce Pontes)

segunda-feira, 14 de março de 2011

Poetas da Nossa Terra



Um dia


Um dia mortos gastos voltaremos
A viver livres como os animais
E mesmo tão cansados floriremos
Irmãos vivos do mar e dos pinhais

O vento levará os mil cansaços
Dos gestos agitados irreais
E há-de voltar aos nossos membros lassos
A leve rapidez dos animais

Só então poderemos caminhar
Através do mistério que se embala
No verde dos pinhais na voz do mar
E em nós germinará a sua fala

Sophia de Mello Breyner

quinta-feira, 10 de março de 2011

Poetas da Nossa Terra


Trabalho o poema sobre uma hipótese: o amor
que se despeja no copo da vida, até meio, como se
o pudéssemos beber de um trago. No fundo,
como o vinho turvo, deixa um gosto amargo na
boca. Pergunto onde está a transparência do
vidro, a pureza do líquido inicial, a energia
de quem procura esvaziar a garrafa; e a resposta
são estes cacos que nos cortam as mãos, a mesa
da alma suja de restos, palavras espalhadas
num cansaço de sentidos. Volto, então, à primeira
hipótese. O amor. Mas sem o gastar de uma vez,
esperando que o tempo encha o copo até cima,
para que o possa erguer à luz do teu corpo
e veja, através dele, o teu rosto inteiro.



                                                                                     Nuno Júdice

segunda-feira, 7 de março de 2011

Dia Internacional da Mulher

 

Hoje....os Autores Portugueses Descansam

8 de Março: Dia internacional da Mulher !!




As mulheres e a lua

"Mulheres são como a Lua: com suas fases, às vezes ficam escondidas, mas nunca perdem seu brilho encantador." (Autor desconhecido)

Respeitar as mulheres

"Só pode ser chamado e considerado homem aquele que aprendeu a respeitar as mulheres." (Frase para o dia da mulher de Luis Alves)

Frase sobre as virtudes das mulheres

"Quem não sabe aceitar as pequenas falhas das mulheres não aproveitará suas grandes virtudes." (Khalil Gibran)

Mulheres poderosas

"Se não fosse as mulheres, o homem ainda estaria agachado em uma caverna comendo carne crua. Nós só construímos a civilização com fim de impressionar nossas namoradas." (Frase de Orson Wells)

Conquistar uma mulher

"O difícil não é conquistar várias mulheres, mas sim, conquistar a mesma mulher várias vezes." (Autor desconhecido)

A experiência feminina

"Uma mulher leva vinte anos para fazer do seu filho um homem - outra mulher, vinte minutos para fazer dele um tolo." (Helen Rowland )-

Uma única mulher já basta

"Aquele que conheceu apenas a sua mulher, e a amou, sabe mais de mulheres do que aquele que conheceu mil." (Leon Tolstoi)

Anatomia feminina

"Anatomia é uma coisa que os homens também têm, mas que, nas mulheres, fica muito melhor." (Millôr Fernandes )


sábado, 5 de março de 2011

Poetas da Nossa Terra



 Diz-me o Teu Nome


Diz-me o teu nome - agora, que perdi
quase tudo, um nome pode ser o princípio
de alguma coisa. Escreve-o na minha mão

com os teus dedos - como as poeiras se
escrevem, irrequietas, nos caminhos e os
lobos mancham o lençol da neve com os
sinais da sua fome. Sopra-mo no ouvido,

como a levares as palavras de um livro para
dentro de outro - assim conquista o vento
o tímpano das grutas e entra o bafo do verão
na casa fria. E, antes de partires, pousa-o

nos meus lábios devagar: é um poema
açucarado que se derrete na boca e arde
como a primeira menta da infância.

Ninguém esquece um corpo que teve
nos braços um segundo - um nome sim.


Maria do Rosário Pedreira

in «Nenhum Nome Depois»,
Lisboa: Gótica, 2ª. Ed., 2005.

terça-feira, 1 de março de 2011

Poetas da Nossa Terra







Ó NOITE, PORQUE HÁS-DE VIR SEMPRE MOLHADA!


Ó noite, porque hás-de vir sempre molhada!
Porque não vens de olhos enxutos
e não despes as mãos
de mágoas e de lutos!


Porque hás-de vir semi morta,
com ar macerado e de bruxedo,
e não despes os ritos, o cansaço,
e as lágrimas e os mitos e o medo!


Porque não vens natural
Como um corpo sadio que se entrega,
e não destranças os cabelos,
e não nimbas de luz a tua treva!


Porque hás-de vir com a cor da morte
- se a morte já temos nós!
Porque adormeces os gestos,
porque entristeces os versos,
e nos quebras os membros e a voz!


Porque é que vens adorada
por uma longa procissão de velas,
se eu estou à tua espera em cada estrada,
nu, inteiramente nu,
sem mistérios, sem luas e sem estrelas!


Ó noite eterna e velada,
senhora da tristeza, sê alegria!
Vem de outra maneira ou vai-te embora,
e deixa romper o dia!

Eugénio de Andrade

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Poetas da Nossa Terra




Pedro Tamen, com a obra 'O Livro do Sapateiro', é o vencedor do Grande Prémio Literário Casino da Póvoa/ Correntes d'Escritas.

O júri composto por Almeida Faria, Carlos Vaz Marques, Fernando Pinto do Amaral, Patrícia Reis e valter hugo mãe decidiu, por maioria, atribuir o prémio, no valor de 20 mil euros, a Pedro Tamen, pelo livro editado em 2010 pela Dom Quixote.
Este ano, o prémio distingue apenas à poesia (alterna com a ficção) e os outros nomeados eram A. M. Pires Cabral, Armando Silva Carvalho, Jaime Rocha e Nuno Júdice.
O vencedor foi anunciado na sessão de abertura do encontro literário Correntes d'Escritas, a decorrer na Póvoa do Varzim até ao próximo dia 26.


Sentado no curto escabelo que me deram
espreito aqui da cave pela janela alta
as pessoas que passam.
Passam passam deixo de vê-las
enquanto ergo e baixo a ferramenta.
Continuo sentado no escabelo que me deram
e no escuro desta cave estou acompanhado.
Sim, acompanhado
não por quem passa
mas por quem não passa.


quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Poetas da Nossa Terra



Amor de Mel Amor de Fel



Tenho um amor
Que não posso confessar
Mas posso chorar
Amor pecado
Amor de amor
Amor de mel
Amor de flor
Amor de fel
Amor maior
Amor amado
Tenho um amor
Amor de dor
Amor maior
Amor chorado
Em tom menor
Em tom menor
Maior o fado
Choro a chorar
Tornando maior o mar
Não posso deixar de amar
O meu amor em pecado
Foi andorinha
Que chegou na Primavera
E eu era quem era
Fado maior
Cantado em tom de menor
Chorando um amor de dor
Dor de um bem e mal amado

Amália Rodrigues