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quinta-feira, 10 de março de 2011

Poetas da Nossa Terra


Trabalho o poema sobre uma hipótese: o amor
que se despeja no copo da vida, até meio, como se
o pudéssemos beber de um trago. No fundo,
como o vinho turvo, deixa um gosto amargo na
boca. Pergunto onde está a transparência do
vidro, a pureza do líquido inicial, a energia
de quem procura esvaziar a garrafa; e a resposta
são estes cacos que nos cortam as mãos, a mesa
da alma suja de restos, palavras espalhadas
num cansaço de sentidos. Volto, então, à primeira
hipótese. O amor. Mas sem o gastar de uma vez,
esperando que o tempo encha o copo até cima,
para que o possa erguer à luz do teu corpo
e veja, através dele, o teu rosto inteiro.



                                                                                     Nuno Júdice

segunda-feira, 7 de março de 2011

Dia Internacional da Mulher

 

Hoje....os Autores Portugueses Descansam

8 de Março: Dia internacional da Mulher !!




As mulheres e a lua

"Mulheres são como a Lua: com suas fases, às vezes ficam escondidas, mas nunca perdem seu brilho encantador." (Autor desconhecido)

Respeitar as mulheres

"Só pode ser chamado e considerado homem aquele que aprendeu a respeitar as mulheres." (Frase para o dia da mulher de Luis Alves)

Frase sobre as virtudes das mulheres

"Quem não sabe aceitar as pequenas falhas das mulheres não aproveitará suas grandes virtudes." (Khalil Gibran)

Mulheres poderosas

"Se não fosse as mulheres, o homem ainda estaria agachado em uma caverna comendo carne crua. Nós só construímos a civilização com fim de impressionar nossas namoradas." (Frase de Orson Wells)

Conquistar uma mulher

"O difícil não é conquistar várias mulheres, mas sim, conquistar a mesma mulher várias vezes." (Autor desconhecido)

A experiência feminina

"Uma mulher leva vinte anos para fazer do seu filho um homem - outra mulher, vinte minutos para fazer dele um tolo." (Helen Rowland )-

Uma única mulher já basta

"Aquele que conheceu apenas a sua mulher, e a amou, sabe mais de mulheres do que aquele que conheceu mil." (Leon Tolstoi)

Anatomia feminina

"Anatomia é uma coisa que os homens também têm, mas que, nas mulheres, fica muito melhor." (Millôr Fernandes )


sábado, 5 de março de 2011

Poetas da Nossa Terra



 Diz-me o Teu Nome


Diz-me o teu nome - agora, que perdi
quase tudo, um nome pode ser o princípio
de alguma coisa. Escreve-o na minha mão

com os teus dedos - como as poeiras se
escrevem, irrequietas, nos caminhos e os
lobos mancham o lençol da neve com os
sinais da sua fome. Sopra-mo no ouvido,

como a levares as palavras de um livro para
dentro de outro - assim conquista o vento
o tímpano das grutas e entra o bafo do verão
na casa fria. E, antes de partires, pousa-o

nos meus lábios devagar: é um poema
açucarado que se derrete na boca e arde
como a primeira menta da infância.

Ninguém esquece um corpo que teve
nos braços um segundo - um nome sim.


Maria do Rosário Pedreira

in «Nenhum Nome Depois»,
Lisboa: Gótica, 2ª. Ed., 2005.

terça-feira, 1 de março de 2011

Poetas da Nossa Terra







Ó NOITE, PORQUE HÁS-DE VIR SEMPRE MOLHADA!


Ó noite, porque hás-de vir sempre molhada!
Porque não vens de olhos enxutos
e não despes as mãos
de mágoas e de lutos!


Porque hás-de vir semi morta,
com ar macerado e de bruxedo,
e não despes os ritos, o cansaço,
e as lágrimas e os mitos e o medo!


Porque não vens natural
Como um corpo sadio que se entrega,
e não destranças os cabelos,
e não nimbas de luz a tua treva!


Porque hás-de vir com a cor da morte
- se a morte já temos nós!
Porque adormeces os gestos,
porque entristeces os versos,
e nos quebras os membros e a voz!


Porque é que vens adorada
por uma longa procissão de velas,
se eu estou à tua espera em cada estrada,
nu, inteiramente nu,
sem mistérios, sem luas e sem estrelas!


Ó noite eterna e velada,
senhora da tristeza, sê alegria!
Vem de outra maneira ou vai-te embora,
e deixa romper o dia!

Eugénio de Andrade

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Poetas da Nossa Terra




Pedro Tamen, com a obra 'O Livro do Sapateiro', é o vencedor do Grande Prémio Literário Casino da Póvoa/ Correntes d'Escritas.

O júri composto por Almeida Faria, Carlos Vaz Marques, Fernando Pinto do Amaral, Patrícia Reis e valter hugo mãe decidiu, por maioria, atribuir o prémio, no valor de 20 mil euros, a Pedro Tamen, pelo livro editado em 2010 pela Dom Quixote.
Este ano, o prémio distingue apenas à poesia (alterna com a ficção) e os outros nomeados eram A. M. Pires Cabral, Armando Silva Carvalho, Jaime Rocha e Nuno Júdice.
O vencedor foi anunciado na sessão de abertura do encontro literário Correntes d'Escritas, a decorrer na Póvoa do Varzim até ao próximo dia 26.


Sentado no curto escabelo que me deram
espreito aqui da cave pela janela alta
as pessoas que passam.
Passam passam deixo de vê-las
enquanto ergo e baixo a ferramenta.
Continuo sentado no escabelo que me deram
e no escuro desta cave estou acompanhado.
Sim, acompanhado
não por quem passa
mas por quem não passa.


quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Poetas da Nossa Terra



Amor de Mel Amor de Fel



Tenho um amor
Que não posso confessar
Mas posso chorar
Amor pecado
Amor de amor
Amor de mel
Amor de flor
Amor de fel
Amor maior
Amor amado
Tenho um amor
Amor de dor
Amor maior
Amor chorado
Em tom menor
Em tom menor
Maior o fado
Choro a chorar
Tornando maior o mar
Não posso deixar de amar
O meu amor em pecado
Foi andorinha
Que chegou na Primavera
E eu era quem era
Fado maior
Cantado em tom de menor
Chorando um amor de dor
Dor de um bem e mal amado

Amália Rodrigues 

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Poetas da Nossa Terra






A vida é uma ribeira;
Caí nela, infelizmente…
Hoje vou, queira ou não queira,
Aos trambolhões na corrente.


Crês que ser pobre é não ter
Pão alvo ou carne na mesa?
Mas é pior não saber
Suportar essa pobreza!


O luxo valor não tem
Nos que nascem p’ra pequenos:
Os pobres sentem-se bem
Com mais pão luxo a menos!


A esmola não cura a chaga;
Mas quem a dá não percebe
Ou ela avilta, que ela esmaga
O infeliz que a recebe.


A ninguém faltava o pão,
Se este dever se cumprisse:
- Ganharmos em relação
Com o que se produzisse.


O homem sonha acordado;
Sonhando a vida percorre…
E desse sonho dourado
Só acorda, quando morre!


Quantas, quantas infelizes
Deixam de ser virtuosas…
E depois são seus juízes
Os que as fazem criminosas!...


António Aleixo 

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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Poetas da Nossa Terra



Pequena litania para um amor familiar


sê devastador e violento como a tempestade
ao abrir as gavetas, ao depor sobre a mesa
nenhuma razão que outros conheçam. alimenta-te
de mim e de ti, guarda as fotografias em paredes
brancas onde nenhuma ave se demore,
 
abre-me as feridas, as mais recentes e as antigas.
 
sê brando e lento como as manhãs de dezembro
ao desfazerem-se em neve, esquece os recados,
os pequenos delitos escondidos em segredo.
os telhados abrigam-nos da maledicência, do azar,
daquilo que o tempo gasta em passar sobre nós.
 
leva-me assim, como um acidente entre os dedos.
 
sê luminoso e intenso, ó meu amor, retrato escondido,
colecciona os declives, ensina-me essa geografia,
sê inocente e puro, mesmo que a noite interrompa a vida
e a nossa pele estremeça. deixa que bebamos
apenas se o prazer magoar onde nasce a sede,
 
fala-me de mim e de ti, se nos sentarmos nas dunas. 
 
                                                                                              Francisco José Viegas
                                                                                           in «366 poemas que falam de amor

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Poetas da Nossa Terra



Para atravessar contigo o deserto do mundo



Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei

Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso

Cá fora, à luz, sem véu, do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo

Por isso com teus gestos me vestiste.
E aprendi a viver em pleno vento.

Sophia de Mello Bryner

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Poetas da Nossa Terra


CHOVE



Chove...

Mas isso que importa!,
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir a chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu?

Chove...

Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama.

José Gomes Ferreira

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