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quinta-feira, 15 de abril de 2010

Poetas da Nossa Terra

Joaquim Pessoa



DE BRUÇOS ME DEBRUÇO MAIS AINDA


De bruços me debruço mais ainda

até sentir os olhos tumefactos

para saber até que ponto é linda

a intrigante cor desses sapatos


que às tuas pernas dão um brilho tal

e uma leveza tal ao teu andar,

que eu penso (embora aches anormal)

que nunca te devias descalçar.


Também porquê, se já não há verdura

nem tu és Leonor para correr

descalça, no poema, à aventura?


O mais difícil, hoje, é antever

quem é que vai à fonte em literatura

e que água dá aos versos a beber.


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terça-feira, 13 de abril de 2010

Poetas da Nossa Terra


Fim do Coito


Resposta a um Deputado do CDS na Assembleia da República


Já que o coito - diz Morgado -

tem como fim cristalino,

preciso e imaculado

fazer menina ou menino;

de cada vez que o varão

sexual petisco manduca,

temos na procriação

prova de que houve truca-truca.

Sendo pai só de um rebento,

lógica é a conclusão

de que o viril instrumento

só usou - parca ração! -

uma vez. E se a função

faz o órgão - diz o ditado -

consumada essa excepção,

ficou capado o Morgado.

Natália Correia

domingo, 11 de abril de 2010

Poetas da nossa Terra



Quem dorme a noite comigo

De um Fado de Amália


Quem dorme à noite comigo?
É meu segredo, é meu segredo!
Mas se insistirem, desdigo.
O medo mora comigo,
Mas só o medo, mas só o medo!

E cedo, porque me embala
Num vaivém de solidão,
É com silêncio que fala,
Com voz de móvel que estala
E nos perturba a razão.

Que farei quando, deitado,
Fitando o espaço vazio,
Grita no espaço fitado
Que está dormindo a meu lado,
Lázaro e frio?

Gritar? Quem pode salvar-me
Do que está dentro de mim?
Gostava até de matar-me.
Mas eu sei que ele há-de esperar-me
Ao pé da ponte do fim.


ALAIN OULMAN

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Poetas da Nossa Terra


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quarta-feira, 7 de abril de 2010

Pensem........

Seleccionado por VIVI

O Imperador convocou todos os artistas

plásticos do seu reino - os melhores.

Enviou também um convite aos gregos

que o aceitaram prontamente.

Chineses e Gregos, todos artistas famosos

e renomados, foram presos num quarto

dividido ao meio por uma cortina.

Dias depois, a porta foi aberta.

O Imperador e sua comitiva adentraram

o ambiente e, num gesto todo cheio de

pompa, o mesmo afastou o tecido vagarosamente.

Um murmúrio de deslumbramento foi

tomando conta do recinto.

Na parede onde os artistas chineses trabalharam

haviam pássaros do paraíso, flores raras,

um céu com seus astros dispostos com

perfeição, enfim, uma pintura inigualável,

sem um mínimo defeito sequer.

E o que havia do lado oposto que pertencia

aos gregos?

Apenas uma parede totalmente polida.

Sim, os gregos transformaram a parede

num magnífico espelho que refletia

toda a soberba beleza da

Arte Chinesa.

O Imperador não teve um momento

de hesitação, concedeu a vitória

aos Gregos e com a seguinte

honraria:

"Aquele que sabe refletir a beleza do mundo

e tudo o que nele há, esse, sim, será digno

de ser ouvido e reverenciado."

Gustav Klimt

pense

(Espero ser perdoado)

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segunda-feira, 5 de abril de 2010

sábado, 3 de abril de 2010

Páscoa

Que o seu coração, esteja em Páscoa....sempre


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sexta-feira, 2 de abril de 2010

Boas Festas


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terça-feira, 30 de março de 2010

Poetas da Nossa Terra



O tempo acaba o ano, o mês e a hora


O tempo acaba o ano, o mês e a hora,
A força, a arte, a manha, a fortaleza;
O tempo acaba a fama e a riqueza,
O tempo o mesmo tempo de si chora;

O tempo busca e acaba o onde mora
Qualquer ingratidão, qualquer dureza;
Mas não pode acabar minha tristeza,
Enquanto não quiserdes vós, Senhora.

O tempo o claro dia torna escuro
E o mais ledo prazer em choro triste;
O tempo, a tempestade em grão bonança.

Mas de abrandar o tempo estou seguro
O peito de diamante, onde consiste
A pena e o prazer desta esperança.

domingo, 28 de março de 2010

Poetas da Nossa Terra


Fiz com as fadas uma aliança - Natália Correia

Fiz com as fadas uma aliança.
A deste conto nunca contar.
Mas como ainda sou criança
Quero a mim própria embalar.
.
Estavam na praia três donzelas
Como três laranjas num pomar.
Nenhuma sabia para qual delas
Cantava o príncipe do mar.
.
Rosas fatais as três donzelas
A mão da espuma as desfolhou.
Nenhuma soube para qual delas
O príncipe do mar cantou.

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