Seguidores

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

BOAS FESTAS -

Com carinho e amizade, a todos os Amigos que me visitam.
Votos sinceros para este Natal que se aproxima.

::::::::::::::::::::


domingo, 13 de dezembro de 2009

sábado, 12 de dezembro de 2009

Proverbios


#-De Santa Catarina ao Natal, mês igual.
#-De Santos ao Santo André, um mês é;
de Santo André ao Natal, três semanas.
#-De todos os Santos ao Natal, bom é chover ou nevar.
#-Do Natal à Santa Luzia, cresce um palmo o dia.
#-Quem quer um bom alhal, semeá-lo pelo Natal.
#-Quem vareja antes do Natal, deixa azeite no olival.
#-Trinta dias tem Novembro, Abril, Junho e Setembro;
de vinte e oito há só um e os mais são de trinta e um.



quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Viagens na Nossa Terra


JANEIRO NO SUL


N e l s o n de M a t o s

É em Janeiro que o sul embranquece. Floram as amendoeiras
e na praia as giestas. A grande alfarrobeira
estende os braços pela terra arenosa e à sua sombra
me deito com a memória de uma grande infância
e na boca um gosto de distância.
Branco, o sul alarga-se pela borda do mar, os pardais
regressam e os lagartos enormes rastejando nas ervas.
É o tempo de respirar fundo e dizer baixinho
as palavras da felicidade. (...)
O sol ouve-se sobre a planície deserta.
E é quando enfim Janeiro regressa que todo o sul
embranquece como uma rainha coroada.

:::::::::::::::::::::::::::::



terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Viagens na Nossa Terra

Canção a Évora

Miguel Torga

Évora que não és minha
E que eu gostava de ter:
Moira cativa e rainha,
Que não pude converter!

Não tenho nas minhas veias
Nem o templo de Diana,
Nem a Praça do Geraldo,
Nem a brancura redonda
Da água das tuas fontes...

Tenho montes,
Vinho maduro e granito,
E esta certeza de ser
Filho de Cristo e de Judas.

Ah! Se eu pudesse mudar,
Já que tu, moira, não mudas!...

:::::::::::::::::::::::::

sábado, 5 de dezembro de 2009

Viagens na Nossa Terra

Nazaré - O SÍTIO


De:
Raúl Brandão

O SÍTIO

Antes de me ir embora vou lá acima ao Sítio.
É uma aldeia branca e deserta, com o templo, a capela
e o penedo onde se deu o milagre. Do alto deste grande
morro descobre-se de aeroplano um largo panorama - o mar
infinito, a ampla baía formada pelos montes, a branca
Nazaré ao pé da areia, a toalha líquida do riozinho que se
espraia e detém ao chegar à costa, e do lado da terra os
eternos pinheirais donde emerge o cone mais agudo de
S. Bento, com a ermida e a guarida do vigia. Percorro as ruas
e a praça. O silêncio de uma povoação abandonada.
Só encontro o padre, duas mulheres e uma criança.
Os homens foram todos (mais de trezentos) para a
longíncua pesca do bacalhau, que dura de Maio até
Dezembro. Durante essa longa ausência, a mulher não
muda de roupa nem de vestido e nunca mais se deita na
cama onde dormia com o homem, que lhe leva a enxerga
para bordo; fica no chão com os filhos sobre esteiras. (...)

:::::::

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Viagens na Nossa Terra


Nazaré



De: RAUL BRANDÃO

Do Valado à Nazaré são seis quilómetros, quase sempre através do
monótono pinheiral de El-Rei. É um majestoso templo que não
acaba e onde a solidão se torna palpável entre os troncos cerrados
e sob as copas espessas. Por fim, o caminho desce, passando
a pederneira, e avista-se lá em baixo a branca Nazaré
e o mar apertado num vasto semicírculo de montes verdes,
que mergulham no azul os alicerces. Ao norte,
o panorama acaba de repente num paredão temeroso,
que entra direito pelas águas e entaipa o céu.
É um morro avermelhado e riscado, com vegetação pegajosa de urzes
e de cardos e um penedo destacado na ponta - o bico do Guilhim.
Lá em cima, as paredes brancas duma aldeia árabe
entre as sebes de cactos hostis - o Sítio. Pedaços de rocha
salientes ameaçam desabar a toda a hora.....

:::::::::::

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Viagens na Nossa Terra


Beira Baixa




















De :
António Salvado

BEIRA BAIXA


Onde as searas cruzam o granito e a voz do longe é feita de suor.
A suave beleza solitária das oliveiras raras numa encosta.
A estranha consolação das giestas tão floridas em campos desolados.
E o verde esperança filho da sem esperança.
*+*+*+*+


sábado, 28 de novembro de 2009

Viagens na Nossa Terra


TERRA FRIA (Padornelos)
(Imagem da Net)



De: Ferreira de Castro
Terra Fria, onde não medrava árvore de fruto nem se colhia vinho, tirante o centeio, a batata, os nabais e duas couvezitas no quinchoso, o resto era uma pobreza. Padornelos, de sorte igual à de outras aldeolas barrosãs, parecia no inverno, uma grande pocilga. Tudo se apresentava negrusco, sujo enlameado. Nem telha a sorrir, nem pincelada de cal, nem planta ou janela florida. Terra para raiz só mais abaixo, nas margens do rio. Ali, os casinhotos sem quintal, prantavam-se uns junto dos outros, esburacados, velhos de séculos, só conhecendo renovação na palha que os cobria. Eram formados por lascas de xisto e granito, escurecidas pelos anos e arrancadas, outrora, à montanha.

»»»»»»»««««««

quinta-feira, 26 de novembro de 2009