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sábado, 19 de maio de 2012

Poetas da Nossa Terra





Esta manhã encontrei o teu nome


Esta manhã encontrei o teu nome nos meus sonhos
e o teu perfume a transpirar na minha pele. E o corpo
doeu-me onde antes os teus dedos foram aves
de verão e a tua boca deixou um rasto de canções.

No abrigo da noite, soubeste ser o vento na minha
camisola; e eu despi-a para ti, a dar-te um coração
que era o resto da vida - como um peixe respira
na rede mais exausta. Nem mesmo à despedida

foram os gestos contundentes: tudo o que vem de ti
é um poema. Contudo, ao acordar, a solidão sulcara
um vale nos cobertores e o meu corpo era de novo
um trilho abandonado na paisagem. Sentei-me na cama

e repeti devagar o teu nome, o nome dos meus sonhos,
mas as sílabas caíam no fim das palavras, a dor esgota
as forças, são frios os batentes nas portas da manhã.
MRPedreira


 

2 comentários:

isa disse...

Que belo e triste Poema!
De uma beleza intensa!
De uma beleza que quase dói.
Bom domingo.
Beijo.
isa.

Mara disse...

Boa tarde querido!
mais um belíssimo poema dessa poetisa portuguesa que eu tanto admiro.
Beijo e ótima semana pra nós todos.