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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Poetas da Nossa Terra





Se não fosse esta certeza
que nem sei de onde me vem,
não comia, nem bebia,
nem falava com ninguém.
Acocorava-me a um canto,
no mais escuro que houvesse,
punha os joelhos á boca
e viesse o que viesse.
Não fossem os olhos grandes
do ingénuo adolescente,
a chuva das penas brancas
a cair impertinente,
aquele incógnito rosto,
pintado em tons de aguarela,
que sonha no frio encosto
da vidraça da janela,
não fosse a imensa piedade
dos homens que não cresceram,
que ouviram, viram, ouviram,
viram, e não perceberam,
essas máscaras selectas,
antologia do espanto,
flores sem caule, flutuando
no pranto do desencanto,
se não fosse a fome e a sede
dessa humanidade exangue,
roía as unhas e os dedos
até os fazer em sangue.

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5 comentários:

Isa disse...

A força dos poemas de Gedeão!
Boa escolha,meu Amigo.
Boa semana.
Beijo.
isa.

Nilce disse...

Oi Andrade
Palavras fortes neste poema e que estão a me servir neste momento.

Bjs no coração!

Nilce

Meias de Seda (Suzy) disse...

Não conhecia o poema, gostei muito!
Bjos ;)

Mara disse...

Zé, meu querido...boa noite!
António Gedeão....que escolha grandiosa!

Se não fosse esta certeza
que nem sei de onde me vem...

A certeza que sinto eu bem sei de onde vem: vem do "coração".
É muito bom poder contar com o teu carinho e atenção.
Te amo, meu querido.
Beijinhos...muito...
Mara

Multiolhares disse...

a poesia de António Gedeão trazem sempre uma carga emotiva fortíssima
Bjs