terça-feira, 3 de setembro de 2013

Poetas da Nossa Terra



UM DIA JUNTEI TODAS AS PALAVRAS

Um dia juntei todas as palavras
que já aprendera e
busquei para elas novos sentidos,
novas maneiras de soar e de voar
até ao coração dos homens.
Censuraram-me por tê-lo feito
e houve até quem dissesse:
“As palavras são o que são
e procurar para elas novos significados
é pura perda de tempo e ofensa dos deuses.”
Eu não lhes dei ouvidos
e continuei a escrever, aprendendo
O sabor de casar a palavra ”água”
com a palavra ”vento” e a palavra
“corpo” com a palavra “terra”
e a palavra “homem” com “sonho”
e a palavra “natureza” com “vida”.
Foi, assim um pouco sem o querer,
um pouco sem o esperar, que usei
pela primeira vez a palavra”poesia”,
que viaja comigo, companheira eterna,
para todos os lugares onde vou,
desde a memória do homem
até aos últimos esconderijos da noite,
até ao fundo da claridade dos dias(…)

In “No Voo de uma palavra”
Editora Teorema

José Jorge Letria

3 comentários:

  1. As vezes as palavras se juntam e se separam se destroçam e tentando se juntar novamente saem de nossa boca com sentidos contraditórios ao que verdadeiramente queríamos dizer.
    depois...depois já é tarde.
    nada a fazer.

    Beijos
    Joelma

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  2. É bonito quando conseguimos "casar" as palavras...
    Nem sempre acontece, é verdade...., mas quando conseguimos juntá-las, até parece que a vida sorri....!!!
    Continuação de boa semana Andrade...
    Albertina

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  3. Um belo poema, não conhecia este poeta;

    Quisera agarrar o vento e voar!
    Atravessar as nuvens e sonhar !
    Além mar..., voar...voar!

    Abraço Andrade...Célia.





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