sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Poetas da Nossa Terra



 :  o órgão do mar 

  
por vezes
quando caminho sobre as pedras da beira rio
que se rasgam sob os passos
interrogo a tarde e os fantasmas
que se escapam destas fendas.


ao som de uma melodia evanescente
abro as portas da alma
e, de par em par,
todos os portões do corpo.


sem amarras, à beira de Ser
acalmo então a passada


leio teresa
o poema da recusa e pressinto
que se não as polpas
então os verbos crus nus como
os meus pés descalços, sempre descalços, sabem de ti
da erva
da cidade
do mar que é nosso
que unindo afasta as marés e as margens,


da falésia


de todas as coisas visíveis
de todas as se opõem
simétricas e complementares


das que falam
das que calam
das que gemem de prazer
das que gritam gaivotas soltas no silêncio de mulher,


é então que, em emudecimento contemplativo, oiço a lição de nietzsche
e, experimentada, solto o elástico que me prende


no vazio em queda livre, convicta
deixo-me pender, árvore de braços abertos
sobre o mar …


Teresa Horta
Poema inédito


7 comentários:

  1. Meu amigo

    Passando para o ler e deixar um beijinho.

    Rosa

    ResponderEliminar
  2. Passei, li e gostei, aliás como sempre...
    desta vez o Andrade trouxe-nos a Teresa Horta com este belo poema.
    Obrigada...

    ResponderEliminar
  3. Do rio para o mar
    um poema com sabor a Mel...
    bjs

    ResponderEliminar
  4. En la poesia sale a relucir los sentimientos personales,ella nos llega a cambiar nuestros sentimientos.

    Gracias por tu comentário a mi foto
    si te gustó el fotógrafo consiguió su objetivo.
    Un fuerte abrazo

    ResponderEliminar
  5. Zé meu querido, boa noite!
    Maria Teresa Horta é uma poetisa admirável tamanha a sua sensibilidade poética!

    ...
    no vazio em queda livre, convicta
    deixo-me pender, árvore de braços abertos
    sobre o mar …

    Lindo!
    Um beijo carinhoso que atravessa o oceano....sentiu?
    Dorme bem, meu querido!
    Com carinho,
    Mara

    ResponderEliminar
  6. Oi, amigo
    precisa conhecer nosso Quintana, é o meu favorito.
    Sempre que posso procuro citá-lo.
    Mais uma poesia encantadora para nós podermos apreciar.
    beijos

    ResponderEliminar
  7. Desconhecia este poema mas, como outros seus, estão patentes a sensulidade e o erotismo.Leio com paixão a sua poesia. Forte, corajosa, apelativa...

    "ao som de uma melodia evanescente
    abro as portas da alma
    e, de par em par,
    todos os portões do corpo."

    "das que falam
    das que calam
    das que gemem de prazer
    das que gritam gaivotas soltas no silêncio de mulher,"


    Bem-hajas!

    Beijinho

    ResponderEliminar