terça-feira, 2 de agosto de 2011

Poetas da Nossa Terra




Dorme, meu amor


  Dorme, meu amor, que o mundo já viu morrer mais este dia e eu estou aqui, de guarda aos pesadelos.
Fecha os olhos agora e sossega — o pior já passou há muito tempo; e o vento amaciou; e a minha mão desvia os passos do medo. Dorme, meu amor 
— a morte está deitada sob o lençol da terra onde nasceste e pode levantar-se como um pássaro assim que adormeceres. Mas nada temas: as suas asas de sombra não hão-de derrubar-me — eu já morri muitas vezes e é ainda da vida que tenho mais medo. 
Fecha os olhos agora e sossega — a porta está trancada; 
e os fantasmas da casa que o jardim devorou andam perdidos nas brumas que lancei ao caminho.
Por isso, dorme, meu amor, larga a tristeza à porta do meu corpo e nada temas: eu já ouvi o silêncio, já vi a escuridão, já olhei a morte debruçada nos espelhos e estou aqui, de guarda aos pesadelos — a noite é um poema que conheço de cor e vou cantar-to até adormeceres

Maria do Rosário Pedreira

4 comentários:

  1. uau!! fazia tempo que não lia algo tão lindo assim....
    merecidíssima homenagem..

    bjs.Sol

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  2. Boa tarde, meu querido!
    Dorme meu amor, que o mundo já viu morrer mais este dia e eu estou aqui...
    — a noite é um poema que conheço de cor e vou cantar-te até adormeceres..
    Maria do Rosário Pedreira
    Beijo carinhoso,
    Mara

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  3. Grande mensagem !!!!!
    Mas não tenhamos medo dos fantasmas da vida....., eles só pretendem assustar-nos...
    Se demonstrarmos que ficamos receosos, então eles riem-se de nós....
    Não deixemos que isso aconteça !!!....

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  4. Meu amigo

    Simplesmente sublime este texto, uma boa escolha como sempre.

    Beijinhos
    Sonhadora

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