quinta-feira, 30 de junho de 2011

Poetas da Nossa Terra



Soneto

Se, para possuir o que me é dado,
Tudo perdi e eu próprio andei perdido,
Se, para ver o que hoje é realizado,
Cheguei a ser negado e combatido.

Se, para estar agora apaixonado,
Foi necessário andar desiludido,
Alegra-me sentir que fui odiado
Na certeza imortal de ter vencido!

Porque, depois de tantas cicatrizes,
Só se encontra sabor apetecido
Àquilo que nos fez ser infelizes!

E assim cheguei à luz de um pensamento
De que afinal um roseiral florido
Vive de um triste e oculto movimento


 António Botto


10 comentários:

  1. muito lindo...
    sempre me atualizando, quando passo por aqui

    bjs.Sol

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  2. Mais um bonito soneto, desta vez de António Botto. Alcançar o que desejamos nem sempre é fácil. Há caminhos sinuosos, íngremes, que nos levam ao desânimo, ao desencanto, ao desespero. Combatê-lo é duro mas temos de o fazer, afastar as nuvens negras que páiram sobre nós até atingir a luz do sol e gozar a felicidade plena. Mais uma vez, estão presentes as duas faces da vida e só passando por uma podemos apreciar a outra, a bela, em toda a sua plenitude.

    Beijinhos

    Bem-hajas!

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  3. Tenempos que amar a nuestros poetas,tenemos que amar a nuestras tradidiones.
    Tu comentário a mi foto me llena de satisfaciones.
    Abrazos Juan

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  4. Boa noite, Zé!
    ...
    Se, para estar agora apaixonado,
    Foi necessário andar desiludido,
    ...
    Belo sonetto, gostei.
    Beijo,
    Mara

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  5. Lindo este poema ......
    Passa uma grande mensagem.

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  6. Meu querido amigo

    Hoje passando apenas para dizer que estou voltando e agradecer o carinho e apoio.

    Beijinhos
    Rosa

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  7. só depois se escarparmos a montanha podemos desfrutar da bela paisagem, assim é com a vida só quando descobrimos a dor entendemos a felicidade
    bjs

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  8. Este soneto é lindíssimo, aliás como todos os de António Botto.
    Faz-nos pensar....e é bom pensarmos que as "rasteiras" da vida não servem só para nos derrubar....
    Quantas vezes, depois de uma enorme queda, não temos uma agradável surpresa????

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  9. Lindo soneto. A vida é cheia de encontros e desencontros, de partidas e vindas e assim vamos caminhando.

    Custei a vir e agora me encantei com tudo aqui que não quero ir.

    Beijos no seu coração

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  10. Caro amigo,

    Sem dúvida um belo poema.
    Não conhecia António Botto, mas vou tentar ancontrar mais poemas dele.

    Grande abraço,
    Pedro.

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