sábado, 5 de março de 2011

Poetas da Nossa Terra



 Diz-me o Teu Nome


Diz-me o teu nome - agora, que perdi
quase tudo, um nome pode ser o princípio
de alguma coisa. Escreve-o na minha mão

com os teus dedos - como as poeiras se
escrevem, irrequietas, nos caminhos e os
lobos mancham o lençol da neve com os
sinais da sua fome. Sopra-mo no ouvido,

como a levares as palavras de um livro para
dentro de outro - assim conquista o vento
o tímpano das grutas e entra o bafo do verão
na casa fria. E, antes de partires, pousa-o

nos meus lábios devagar: é um poema
açucarado que se derrete na boca e arde
como a primeira menta da infância.

Ninguém esquece um corpo que teve
nos braços um segundo - um nome sim.


Maria do Rosário Pedreira

in «Nenhum Nome Depois»,
Lisboa: Gótica, 2ª. Ed., 2005.

7 comentários:

  1. Terno e doce o poema!
    Não conhecia a autora e gostei muito! Obrigada por partilhar.
    Irei buscar mais dados sobre ela.
    Tenha um ótimo fim de semana. Bom descanso no carnaval!
    Beijos...

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  2. Olá, meu querido!
    Digo-te o meu nome , sim.....chamo-me "Amor".
    Beijo grande pra ti, meu lindo e o desejo de um excelente final de semana.
    Com ternura,
    Mara

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  3. Boa noite!
    Uma noite sem nada de especial...
    salvo o belíssimo poema!
    Nós,as Mulheres,somos tão subtis.
    Amei!Sorri!
    Beijo.
    isa.

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  4. Lindissimo poema amigo.
    Tenha um maravilhoso Domingo, pleno de alegria, paz e harmonia.
    Beijinhos
    Maria

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  5. Lindo, diga o nome do amor...
    Beijo Lisette.

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  6. ...que delícia de poema!

    bj, alma linda!

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  7. Amigo, parabéns pelo bom gosto e sabedoria ao escolher esse poema!
    Versos belos, profundos, e muito reflexivos!
    Deixo carinhos meus pra ti, viu? Bjsss

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