sábado, 19 de fevereiro de 2011

Poetas da Nossa Terra






A vida é uma ribeira;
Caí nela, infelizmente…
Hoje vou, queira ou não queira,
Aos trambolhões na corrente.


Crês que ser pobre é não ter
Pão alvo ou carne na mesa?
Mas é pior não saber
Suportar essa pobreza!


O luxo valor não tem
Nos que nascem p’ra pequenos:
Os pobres sentem-se bem
Com mais pão luxo a menos!


A esmola não cura a chaga;
Mas quem a dá não percebe
Ou ela avilta, que ela esmaga
O infeliz que a recebe.


A ninguém faltava o pão,
Se este dever se cumprisse:
- Ganharmos em relação
Com o que se produzisse.


O homem sonha acordado;
Sonhando a vida percorre…
E desse sonho dourado
Só acorda, quando morre!


Quantas, quantas infelizes
Deixam de ser virtuosas…
E depois são seus juízes
Os que as fazem criminosas!...


António Aleixo 

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5 comentários:

  1. O grande António Aleixo......

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  2. Boa tarde, querido Zé!
    Gosto do jogo de palavras que António Aleixo,esse poeta autodidata e algarvio fazia em suas quadrinhas.Deixo pra ti de autoria dele:

    Eu não tenho vistas largas,
    nem grande sabedoria,
    mas dão-me as horas amargas
    lições de filosofia.

    Beijo e o desejo de um bom final de semana e o meu carinho...sempre.

    Mara

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  3. Amigo, esse poeta
    sabia dizer o que pensava
    sem forma de quadras simples
    e inteligentes.
    Boa escolha.
    Bom fim de semana!
    .♫♫°°º
    °º♫ Beijos ღ°º
    ♥°º
    .•♥¸.•´•Brasil°º

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  4. Meu querido amigo

    São pérolas da poesia,estes poemas de Aleixo, adoro.


    Beijinho com carinho
    Sonhadora

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  5. 'A esmola não cura a chaga;
    Mas quem a dá não percebe
    Ou ela avilta, que ela esmaga
    O infeliz que a recebe.'

    Essa quadra é fatal: quem recebe sempre, queira ou não, sente-se humilhado.

    beijo, amigo!
    Tais Luso

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