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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Poetas da Nossa Terra






Dorme, meu amor, que o mundo já viu morrer mais este dia e eu estou aqui, de guarda aos pesadelos. Fecha os olhos agora e sossega — o pior já passou há muito tempo; e o vento amaciou; e a minha mão desvia os passos do medo. Dorme, meu amor —

 a morte está deitada sob o lençol da terra onde nasceste e pode
levantar-se como um pássaro assim que adormeceres. Mas nada temas: as suas asas de sombra não hão-de derrubar-me — eu já morri muitas vezes e é ainda da vida que tenho mais medo. Fecha os olhos

 agora e sossega — a porta está trancada; e os fantasmas da casa que o jardim devorou andam perdidos nas brumas que lancei ao caminho. Por isso, dorme,

 meu amor, larga a tristeza à porta do meu corpo e nada temas: eu já ouvi o silêncio, já vi a escuridão, já olhei a morte debruçada nos espelhos e estou aqui, de guarda aos pesadelos — a noite é um poema que conheço de cor e vou cantar-to até adormeceres.

M.Ros.Amaral 
************************* Pedreira

2 comentários:

isa disse...

Que bela prosa poética!
Beijo.
isa.

Albertina Granja disse...

Uma prosa muito bonita....!!!
Gostei....
Bom fim de semana Andrade