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terça-feira, 5 de junho de 2012

Poetas da Nossa Terra


Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada...

Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio...

Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...

Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!


David Mourao Ferreira

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4 comentários:

isa disse...

Um dos mais belos poemas de alguém que muito estimo e foi meu Professor
de Literatura Portuguesa na Fac.de Letras.Continua vivo no meu coração.
Parabéns pela escolha!
Parabéns por tudo.
Beijo.
isa.

LOURO disse...

Olá Amigo!

Lindo poema de David Mourão Ferreira,sublime escolha...Gostei!!!

Abraço
Lourenço

Sonhadora disse...

Meu querido amigo

Maravilhoso este poema de David Mourão Ferreira, para mim um dos mais belos.

Um beijinho com carinho
Sonhadora

Mara disse...

Boa tarde , meu querido!
...
Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!

Lindo!
Beijo carinhoso.