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sábado, 14 de janeiro de 2012

Poetas da Nossa Terra




O verão deixa-me os olhos mais lentos sobre os livros

O verão deixa-me os olhos mais lentos sobre os livros.
As tardes vão-se repetindo no terraço, onde as palavras
são pequenos lugares de memória. Estou divorciada dos
outros pelo tempo destas entrelinhas - longe de casa,
tenho sonhos que não conto a ninguém, viro devagar

a primeira página: em fevereiro, eles ainda faziam amor

à sexta-feira. De manhã, ela torrava pão e espremia
laranjas numa cozinha fria. Havia mais toalhas para lavar
ao domingo, cabelos curtos colados teimosamente ao espelho.
Às vezes, chovia e ambos liam o jornal, dentro do carro,
antes de se despedirem. As vezes, repartiam sofregamente
a infância, postais antigos, o silêncio - nada

aconteceu entretanto. Regresso, pois, à primeira linha,

à verdade que remexe entre as minhas mãos. Talvez os olhos
estivessem apenas desatentos sobre o livro; talvez as histórias
se repitam mesmo, como as tardes passadas no terraço, longe
de casa. Aqui tenho sonhos que não conto a ninguém.


Maria do Rosário Pedreira
de A Casa e o Cheiro dos Livros

6 comentários:

Solange disse...

eu acredito que às vezes as histórias se repetem...
mas não prestamos atenção

bjs.Sol

Albertina Granja disse...

As histórias repetem-se mesmo....,
Disso não tenho qualquer dúvida.....

AFRICA EM POESIA disse...

Amigo Andradarte



vim deixar um beijinho.

E dizer que sexta feira 13 ou 14 é a mesma coisa.
O importante é sermos nós.
E fazermos o que gostamos e sentirmos que fazemos o nosso melhor.
Eu sou prova de isso mesmo.
muita gente com a minha saúde estava a morrer e a tentar piedade. Eu gosto de ser forte.Eu gosto de lutar.
Depois gosto muito dos meus amigos e da minha família.

Depois sinto a tristeza de andar por aqui..
E sentir que alguém me odeia...

tenho uma pessoa que entra no blog como anónimo(A) e sempre que lanço um livro ou faço uma coisa bem feita entra e insulta-me gratuitamente com o pior que pode haver.Desta vez até me acusa deste Pais estar mal por minha causa...

tenho enviado o mail a algumas pessoas e não querem acreditar no que lêem.

Para mim não faz diferença, se por ele(a) passar um acidente que fique numa cadeira de rodas e a seguir um cancro.. espero que me diga depois como foi fácil viver e dar a volta por cima.

A minha poesia causa-lhe asco mas eu não mando ler ,o meu blog tmb que causa asco, mas não tem que vir aqui...
Aqui a minha casa para eu estar com quem gosto...OS meus AMIGOS.

Depois ,um anónimo é um cobarde sem rosto.É uma pessoa mal amada e penso que com graves problemas familiares mas uma pessoa assim nunca poderá ser feliz..
faça um buraco e esconda-se...

Peço desculpa mas o anónimo diz que anda pelos blogues a ver o que escrevo, por isso a mensagem fica.


A net tem destas coisa...deixa entrar tudo e ás vezes entra lixo..contra isso nada feito.

Beijos e poesia no meu Cantar África.




Estão diligências para descobrir quem é...( mas aceito ajudas...)

Sonhadora disse...

Meu amigo

Um poema lindo...sempre boas escolhas.

Deixo um beijinho
Sonhadora

Mara disse...

Boa tarde Zé!
Gosto muito dos poemas de Maria do Rosário Pedreira.Esse eu não conhecia.
Um beijo carinhoso e o desejo de uma ótima semana.
COm carinho,
Mara

Isa Lisboa disse...

Poema poderoso!