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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Poetas da Nossa Terra

       

LÍNGUA MATER DOLOROSA
           
Tu que foste do Lácio a flor do pinho
dos trovadores a leda a bem-talhada
de oito séculos a cal o pão e o vinho
de Luiz Vaz a chama joalhada
           
tu u casulo o vaso o ventre o ninho
e que sôbolos rios pendurada
foste a harpa lunar do peregrino
tu que depois de ti não há mais nada,
           
eis-te bobo da corja coribântica:
a canalha apedreja-te a semântica
e os teus verbos feridos vão de maca.
           
Já na glote és cascalho és malho és míngua,
de brisa barco e bronze foste a língua;
língua serás ainda... mas de vaca.

Natália Correia

8 comentários:

Argos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Argos disse...

Olá andrade,

Natália Correia no seu melhor, cutilante q.b!
Um poema actualíssimo, mas quem se importa realmente?
A mim dói...

Hana disse...

Sou uma apaixonada por poesia, pena que não sou poetisa, mas adoro mergulhar nos sonetos, amigo ta tudo divino aqui viu...
com carinho
Hana

Maria Ribeiro disse...

´Natália Correia, atitude profética em relação à vergonha, desavergonhada, com que se está a tratar a Língua- Mãe!
BEIJINHO, amigo!
Mª ELISA

Maria Ribeiro disse...

ANDRADE: mais uma bela recordação das nossas lides literárias!
Até ela! ou ,-principalmente ELA! se deu conta, numa atitude literária profética, de que a Língua portuguesa estava a ser tratada "abaixo de cão"!
BEIJINHO AMIGO
Mª ELISA

Mara disse...

Olá Zé!
Gostei muito deste poema de Natália Correia.Confesso que não conhecia.
Beijos,
Mara

Multiolhares disse...

Natalia Correia uma grande senhora
beijos

Nilce disse...

Interessante a poesia Andrade.
É a revolta.

Bjs no coração!

Nilce

PS: Passa no meu canto e vem participar do aniversário de 1 ano do meu blog.