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sábado, 7 de fevereiro de 2009

Joaquim Pessoa






ALCÁCER QUE VIER


Em Alcácer eram verdes
as aves do pensamento.
Eram tão leves tão leves
como as lanternas do vento.

Em Alcácer eram verdes
os cavalos encarnados.
Eram tão fortes tão negros
como os punhos decepados.

Em Alcácer eram verdes
as armas que eu inventei.
Eram tão leves tão leves
tão leves que nem eu sei.

Em Alcácer eram verdes
os homens que não voltaram.
Eram tão verdes tão verdes
como os campos que deixaram.

Em Alcácer eram verdes
as maças feitas de lume.
Eram tão frias tão frias
como as dobras do ciúme.

Em Alcácer eram verdes
estas palavras que agora
são tão caladas tão cernes
tão feitas desta demora.

Em Alcácer eram verdes
as flôres da sepultura.
Eram tão verdes tão verdes
tão verdes como a loucura.

Em Alcácer era verde
meu amor o teu olhar.
Era tão verde tão verde
quase à beira de cegar.

Em Álcacer eram verdes
os lençóis onde morri.
Eram tão frios tão verdes
como os campos que eu não vi.

Em Alcácer eram verdes
as feridas do meu país.
Eram tão fundas tão verdes
como este mal de raiz.



3 comentários:

Isa disse...

Muito bem postado,meu Amigo.
Além da beleza do Poema há algo de
profético nas palavras.
Ñ achas Amigo q. os "ventos" que
correm tb apontam para "tristezas e
desgraças"? Sinto um arrepio.
Ñ há q. recear "maus hábitos"!
A minha maneira de ser é assim mesmo.Ñ se assuste.:)
Deixo o
meu
Beijo.
isa.

Isa disse...

Então isto faz-se? A uma Amiga devotada? Tenho nas minha entradas
um novo post teu e ñ o encontro?!
Ai,ai!
"Bamos" lá resolver o problema,
prometido? :):)
Beijo.
isa.

FERNANDA & POEMAS disse...

QUERIDO AMIGO, LELÍSSIMO POEMA E A POSTAGEM ESTÁ LINDA AMIGO... PARABÉNS!!!
UM ABRAÇO DE CARINHO,
FERNANDINHA